Papa Leão inicia visita de uma semana à Espanha com foco em migrantes e polarização
Papa Leão parte no sábado para uma viagem de sete dias à Espanha, marcada pela inauguração de uma nova torre da Basílica da Sagrada Família, em Barcelona, e encontros com migrantes que arriscaram a travessia do Atlântico para chegar à Europa. A visita, prevista de 6 a 12 de junho, será a primeira a um país da União Europeia fora da Itália pelo primeiro líder norte-americano da Igreja Católica.
Além da capital catalã, o roteiro inclui Madri, o Monastério de Montserrat e as Ilhas Canárias, arquipélago espanhol na costa oeste da África. Ao longo da estadia, a expectativa é que o papa faça mais de 20 pronunciamentos e atraia grandes multidões.
Guerras e polarização
Segundo Matteo Bruni, diretor da assessoria de imprensa do Vaticano, Leão deverá criticar os conflitos que afetam diversas regiões do mundo e defender o diálogo como saída para a crescente polarização política e social. “São pessoas, e suas histórias devem nos tocar”, afirmou Bruni ao comentar a situação dos migrantes, que é tratada como prioridade pessoal do pontífice.
Leão, que já passou décadas como missionário e foi bispo no Peru antes de ser eleito papa em maio do ano passado, falará majoritariamente em espanhol durante a viagem. No entanto, ao se reunir com migrantes na ilha de Tenerife, espera-se que ele use o francês, por causa do grande número de pessoas oriundas de países africanos francófonos.
O pontífice também terá encontros institucionais logo após a chegada a Madri: está prevista uma visita ao Palácio Real para cumprimentar o rei Felipe e a rainha Letizia, além de reuniões com diplomatas e autoridades civis. Ainda no sábado, o programa inclui um encontro com jovens na praça em frente ao Estádio Santiago Bernabéu e uma visita a uma instituição católica que atende pessoas em situação de rua.
No passado recente, Leão criticou publicamente as políticas anti-imigração do governo dos Estados Unidos, o que gerou atritos com o então presidente Donald Trump. Em contraste, o Executivo espanhol do primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez abriu um programa de anistia que permite a cerca de 500 mil imigrantes solicitarem regularização de status.
Imagem: REUTERS/Vincenzo Livieri
Organizações não governamentais apontam que mais de 3.000 pessoas morreram em 2025 tentando alcançar as Ilhas Canárias em embarcações precárias, segundo dados da ONG Caminando Fronteras. Sánchez tem sido elogiado no exterior por críticas ao governo americano, mas enfrenta pressões internas por acusações de corrupção vinculadas ao seu partido.
Ao longo da semana, o papa deve combinar atos públicos com encontros diretos com migrantes e organizações que prestam assistência a quem tenta entrar na Europa.
Com informações de Forbes