Neymar e o valor de marketing que mantém sua convocação para a Copa do Mundo 2026
A convocação de Neymar Jr. para a Seleção Brasileira na Copa do Mundo FIFA 2026, anunciada por Carlo Ancelotti em 25 de maio, dividiu reações no país: festas e menções nas redes sociais contrastaram com questionamentos sobre sua condição física e papel na equipe.
De um lado, torcedores celebraram a chamada e transformaram o anúncio em espetáculo público, com registros de comemoração no Museu do Amanhã, além de vídeos e homenagens nas plataformas digitais. O jornal britânico The Sun afirmou que os fãs “enlouqueceram” com a notícia, descrevendo o momento como um “conto de fadas”.
Do outro, parte da opinião pública cobrou explicações a Ancelotti sobre as motivações da convocação, diante do histórico recente do atacante. Neymar não atua pela Seleção há 963 dias e ficou fora de seis datas FIFA consecutivas durante o ciclo sob Ancelotti, período em que o Brasil disputou eliminatórias e amistosos.
Condição física e lesão na panturrilha
O técnico italiano defendeu critérios de convocação baseados em alto rendimento e condições físicas, com observação dos atletas nos dois meses que antecederam a Copa. Apesar de não haver lesões confirmadas antes da lista, Neymar relatou um incômodo na panturrilha dias antes do anúncio. Em 28 de maio, três dias após a convocação, o médico da Seleção confirmou uma lesão de grau 2 na panturrilha, o que pode deixá-lo fora da estreia.
Histórico de lesões
Aos 34 anos, Neymar carrega um histórico de problemas físicos. Em 2023, sofreu ruptura do ligamento cruzado anterior e menisco do joelho esquerdo, ficando 369 dias afastado. Após o retorno, lesionou a coxa em partida pelo Al-Hilal, acumulando apenas sete jogos em pouco mais de um ano no clube. Na temporada 25/26, atuando como camisa 10 no Santos, ficou 208 dias fora por cinco lesões, deixando de disputar 39 dos 82 jogos do time.
Apesar das dúvidas, o técnico ressalta que a seleção construída por Ancelotti opera num 4-4-2 que exige intensidade física, pressão alta e participação coletiva, sem um jogador monopolizando o jogo. Em coletiva, Ancelotti afirmou: “Ele é um jogador importante e vai ser um jogador importante na Copa do Mundo. Tem o mesmo papel, a mesma obrigação que os outros 25. Tem a possibilidade de jogar, de não jogar, de estar no banco, de entrar”.
Potencial esportivo e apelo comercial
Esta será a quarta Copa de Neymar, colocando-o ao lado de nomes como Pelé, Ronaldo e Cafu em número de participações. Em clubes, ele já foi responsável por decisões em momentos de pressão: no Al-Hilal, teve três gols em sete jogos nos minutos finais; pelo Santos em 2026, marcou seis gols em 13 partidas e deu três assistências.
Imagem: Imagem Divulgação
Fora de campo, Neymar segue sendo atrativo para marcas. Antes mesmo da publicação da lista, ele participou de gravações publicitárias ligadas ao torneio e, minutos após a convocação, fez posts comerciais para Red Bull, Mercado Livre, Puma, Canção e Blaze no Instagram, onde soma mais de 232 milhões de seguidores. As postagens foram feitas em um intervalo de 50 minutos, o que indica que estavam agendadas; a estimativa é de que tenha faturado mais de R$ 30 milhões em menos de uma hora.
Amir Somoggi, especialista em marketing esportivo e fundador da Sports Value, afirma que Neymar “fora de campo é um fenômeno” e que, em alcance global, hoje perde apenas para Cristiano Ronaldo e Messi. Somoggi também ressalta que as marcas assumem risco ao apostar nessa imagem, porque o entusiasmo pode virar frustração caso o Brasil perca ou se Neymar não atuar: “As marcas estão tomando esse risco porque sabem que 80% da população brasileira vai acompanhar a Copa do Mundo”, afirma.
Durante questionamentos no Museu do Amanhã sobre influências publicitárias na decisão de convocar Neymar, Ancelotti negou pressão externa: “Como disse, deixa a pensar que temos deixado fora desta lista jogadores importantes. Mas temos tomado essa decisão sem nenhum tipo de pressão externa”.
Mesmo com altos e baixos na carreira e na vida pessoal, Neymar segue sendo visto pelas empresas como um ativo capaz de gerar atenção global, vendas de camisas e contratos publicitários, mantendo-se como o principal nome do futebol brasileiro em termos de apelo comercial.
Com informações de Forbes