Mini relógios se tornam fenômeno no mercado de luxo em 2026
Quando a Cartier apresentou o Tank Louis Mini na feira Watches & Wonders 2024, com dimensões de 24 mm por 16,5 mm e mecanismo de quartzo em ouro amarelo 18k, o modelo teve procura imediata. Vendido por pouco menos de US$ 7 mil (R$ 35 mil), o lançamento ilustrou a mudança de preferência por peças muito menores no segmento de alta relojoaria.
Essa reação reflete uma modificação clara nas preferências do mercado. Após mais de uma década dominada por caixas oversized de até 44 mm, os relógios mais procurados em 2026 têm medidas comparáveis às de um selo postal. A Cartier, por exemplo, passou a dedicar uma área do site a versões reduzidas de seus modelos clássicos.
O que caracteriza um “mini”
Embora não exista uma padronização formal, o setor considera como “mini” os relógios com diâmetro inferior a 30 mm. Os modelos mais cobiçados hoje ficam entre 18 mm e 26 mm. Exemplos citados pela indústria incluem o Mini Panthère da Cartier (25,1 mm x 18,5 mm), o Mini Tank Louis (24 mm x 16,5 mm) e o Royal Oak Mini Frosted Gold da Audemars Piguet, com 23 mm.
Principais marcas e lançamentos
A tendência ganhou adesão entre diversas maisons. A Piaget relançou o Limelight Gala em caixa de 26 mm cravejada de diamantes; a Chopard passou a oferecer o Happy Sport a partir de 25 mm; e a Audemars Piguet reduziu o Royal Oak para 23 mm, chamando a coleção de homenagem à sua tradição em relógios de pequeno porte e joalheria.
Outros exemplos incluem o Mini DolceVita da Longines (21,5 mm x 29 mm), o Première Ribbon da Chanel (19,7 mm x 15,2 mm) e a linha “Les Mini” da Cartier, que traz o Baignoire com apenas 15 mm de largura.
Impacto comercial
Relatórios apontam crescimento de mercado para a Cartier entre compradores mais jovens: segundo Chrono24 e Fratello, a participação da marca nas aquisições da Geração Z subiu de 1,7% para 6,8% em sete anos. O Morgan Stanley projeta vendas da Cartier de € 3,6 bilhões (US$ 4,2 bilhões – R$ 21 bilhões) no ano fiscal de 2025, com participação de mercado estimada em 8,7%, ante 5,7% em 2019.
Além disso, consumidores têm aceitado ajustes de preço. Em maio de 2025, a Cartier concentrou aumentos em modelos menores, aposta sustentada pelo CEO Louis Ferla, que no relatório anual da Richemont afirmou que 2025 foi marcado pelo “desempenho excepcional dos relógios mini”.
Imagem: 2025 Bloomberg Finance LP
Visibilidade e motivos da popularidade
O tapete vermelho também ajudou a impulsionar a tendência: ao longo de 2025 celebridades como Elle Fanning (Cannes), Simone Biles e Serena Williams (Met Gala) usaram versões reduzidas de peças icônicas, e Timothée Chalamet foi visto com dois Cartier Tanks mini empilhados. No anúncio de noivado de Taylor Swift com Travis Kelce, fãs notaram um raro Cartier Santos Demoiselle em ouro e diamantes no pulso da artista.
Três fatores explicam a adesão: a transformação do relógio em objeto de joalheria (como destacado em relatório da Watchonista: “2026 será o ano em que o relógio se tornará joia”), a preferência por estética mais discreta e refinada e a reação ao período oversized, com procura por peças mais elegantes, confortáveis e alinhadas ao conceito de quiet luxury.
Embora tendências possam ser cíclicas, a presença consolidada dos mini relógios e sua capacidade de atrair um público mais jovem e amplo sugerem que a categoria tende a permanecer relevante no mercado de luxo.
Com informações de Forbes