Miami registra alta na atividade turística e se destaca às vésperas da Copa do Mundo
Miami vem se destacando entre as cidades-sede da Copa do Mundo da FIFA, com sinais claros de aquecimento no turismo e na ocupação de hospedagens, enquanto outras localidades nos Estados Unidos enfrentam expectativas mais moderadas sobre o impacto econômico do evento.
No sul da Flórida, onde reside o jogador argentino Lionel Messi, organizadores locais afirmam que não terão dificuldades para preencher as arquibancadas do Hard Rock Stadium nem as áreas públicas destinadas a torcedores sem ingresso, as chamadas fan zones. Reservas em hotéis e em imóveis de curta temporada sustentam o otimismo das autoridades e do setor hoteleiro.
Miami atrai especialmente fãs latino-americanos e receberá partidas de alto apelo já nas fases iniciais do torneio. Contudo, os preços dos ingressos chamam atenção: lugares nas últimas fileiras para a partida entre Brasil e Escócia chegam a US$ 1.700, enquanto, para Colômbia x Portugal, com Cristiano Ronaldo, os bilhetes mais baratos em sites de revenda alcançam cerca de US$ 2.700.
Rob Barlick, responsável pela gestão de patrimônio privado para Flórida e América Latina no Goldman Sachs Group Inc., afirmou que a cidade é “uma comunidade obcecada por futebol” e ressaltou as raízes latinas como fator de engajamento dos torcedores.
Casos de gastos elevados entre visitantes também aparecem em relatos pessoais: a empresária colombiana Diana Acero planeja assistir ao jogo de Portugal e pretende desembolsar US$ 5.200 por pessoa em um pacote de viagem para sua família de quatro integrantes, que inclui até um passeio de barco de oito horas. A família ainda pretende visitar Nova York antes do jogo e embarcar em um cruzeiro saindo de Miami após a partida.
Demanda, preços e alternativas
Embora alguns jogos não estejam esgotados, monitoramentos indicam que Miami figura entre as cidades com os ingressos mais caros. A alta no preço do petróleo tem pressionado tarifas aéreas, e o fluxo de turistas internacionais para os EUA registrou desaceleração em meio à repressão migratória implementada pelo governo de Donald Trump.
Nem todos os bilhetes estão em patamares elevados: partidas do Uruguai na fase de grupos contra Arábia Saudita e Cabo Verde têm ingressos na faixa de US$ 350 a US$ 400. Além disso, a cidade aposta na atração de visitantes que participarão do Fan Festival gratuito no Bayfront Park, programado para três semanas, mesmo sem ingressos para os jogos.
Imagem: Imagem Divulgação
A prefeita de Miami, Eileen Higgins, informou que recursos federais devem cobrir custos de segurança e limpeza. Ela também destacou que a FIFA instalou a sede do evento na cidade e emprega centenas de pessoas localmente.
Torcedores como o jornalista colombiano Juan David Galindo planejam viajar de carro do Meio-Oeste até Miami para assistir a Colômbia x Portugal em telão; ele disse ter tentado todas as opções de ingresso e estava disposto a pagar até US$ 600 por um bilhete.
Plataformas de aluguel por temporada registraram pico de reservas: sites como Airbnb e Vrbo somaram mais de 26.000 reservas, com média de US$ 341 por noite, no período que antecedeu a partida Colômbia-Portugal — o maior número já registrado pela empresa de monitoramento AirDNA para um único jogo.
Miami, acostumada a sediar grandes eventos — como a Fórmula 1, a decisão do futebol americano universitário e a final do World Baseball Classic neste ano —, espera capitalizar a disposição dos torcedores em gastar com viagens e entretenimento. Rodney Barreto, copresidente do comitê organizador local, observou que muitos podem vir à cidade sem ingresso, aguardando uma eventual queda de preços ou participando das festas.
Com informações de Investnews