HERvolution

MC Lynne e Pécora pedem justiça pelas mulheres no videoclipe de “Assédio no Vagão”

25.03.2021 | Por: Gabriela Ferreira

MC Lynne e Pécora se unem para o segundo lançamento do projeto “Hervolution”. Desta vez, a mensagem da música é um grito que representa o que está entalado na garganta de todas as mulheres. “Assédio no Vagão” já está disponível no Canal KondZilla e retrata uma situação vivida por MC Lynne. O Portal KondZilla conversou com as artistas sobre o assunto. Se liga!

Infelizmente o assédio é um assunto conhecido por muitas mulheres. Muitas e muitas minas passam por isso, seja em casa, no trabalho, na rua ou no transporte público. Segundo  o Ibope, mesmo com a pandemia e com o “distanciamento social”, o número de assédios no transporte cresceu. De 400 entrevistadas, 43% relataram que já sofreram assédio no metrô. Um número bem maior que nos anos anteriores. 

Essa situação aconteceu com a MC Lynne. “Eu estava vindo gravar a música pro ‘Hervolution’ quando aconteceu. Eu tava sentada, cantarolando no trem e percebi um homem subindo a mão na minha perna em direção as minhas partes íntimas. A gente sempre escuta relatos sobre isso, mas pensa que vai acontecer com a gente”, relata a artista. 

Até hoje, a maioria das mulheres não denunciam casos de assédio por um milhão de fatores: medo, a culpabilização da vítima, já que muitas pessoas desacreditam nas minas e colocam a culpa na roupa ou na postura delas, por falta de instrução e por causa da justiça, que muitas vezes não acolhe as mulheres. “Consegui reagir e questionei ele. Prenderam ele logo na hora e me perguntaram se eu queria processar ou se ia seguir minha rotina. Isso me fez refletir que assédios continuam acontecendo porque muitas de nós ficamos com medo de denunciar. No dia da audiência, temos que ver o assediador de novo e isso é um processo muito difícil porque a gente não quer ver a pessoa de novo. Dá medo [de denunciar] porque as pessoas perguntam qual roupa a gente tava usando, o que a gente fez pra isso acontecer. Elas querem jogar a culpa na vítima”. 

Pécora já passou pela mesma situação mais de uma vez. “A gente pode estar sofrendo um assédio e nem perceber. Uma vez eu estava no ônibus e aconteceu e eu não vi. Só soube porque a mulher que estava atrás de mim me alertou”, relembra ela. “Todas as experiências que tive mudaram minha cabeça, o jeito que me visto, como vou falar, Não é porque somos mulheres que temos que perder nossa liberdade”.

Depois de passar por situações desse tipo, o que acontece com muitas minas é evitar de usar certas roupas ou evitar certos lugares por causa do medo. Como se a culpa fosse delas de estarem lá, e não do assediador. “Eu cheguei a prometer pra mim mesma que não ia mais andar de trem, mas não é justo comigo. Eles estão por toda parte: no trem, na padaria, dentro de casa. Da próxima vez que eu entrar no trem, vai ser de cabeça erguida. Se isso acontecer de novo um dia, vou processar de novo e eles não vão ficar impunes”, comenta Lynne.

Para Lynne, fazer a música “Assédio no Vagão” e denunciar o que aconteceu com eles é mais que lutar pela justiça que ela mesmo merece. Inclusive, a audiência acontece nesta mesma quinta-feira, dia do lançamento do videoclipe. “Ir em frente e processar me faz acreditar que outras mulheres serão encorajadas também. Os homens precisam entender que assédio tem punição. Se eu estiver ajudando pelo menos uma mulher, sei que minha missão já vai estar cumprida”.

Como denunciar um assédio no transporte público:

Como falamos lá em cima, muitas mulheres acabam não denunciando o assédio e muitas vezes é por causa da falta de informação. Por isso, montamos um guia para você sacar o passo a passo, e se passar por isso, saber como ir atrás de justiça:

– Nos trens do Metrô, use o serviço de SMS Denúncia (tel: 9733-2252). A mensagem é transmitida para o Centro de Controle de Segurança que destaca os agentes mais próximos para ajudar. Outra opção é usar o aplicativo Metrô Conecta. Basta criar um login, ir na opção abuso sexual e informe a linha e o número do vagão. Se o assédio tiver acontecido em outra dependência do Metrô, tem como mandar fotos para ajudar a localização. Vale lembrar que toda ajuda é válida. Viu alguma mina sendo assediada? Defenda ela, denuncie, ajude a chamar os guardas do transporte.

– Na CPTM, a vítima ou testemunha precisa avisar o funcionário mais próximo para que o agressor seja encaminhado à delegacia mais próxima. Outra opção é usar o SMS Denúncia (tel. 97150-4949). Se o suspeito for identificado, ele vai ser direcionado à delegacia mais próxima.

– Na Linha 4-Amarela, a vítima/testemunha pode acionar algum funcionário ou usar o botão intercomunicador dos vagões, que ficam perto das portas.

– Nos ônibus, avise o motorista ou o cobrador para que eles possam ajudar. Se você estiver em algum terminal, avise o funcionário mais próximo, que ele vai te auxiliar.

– Vale lembrar que você pode recorrer às Delegacias da Mulher. No estado de São Paulo, são 133 especializadas. Você pode encontrar a mais próxima de você clicando aqui.

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