Primo foi de Indaiatuba a Nova York para viver entre o trampo e o sonho do grafite

Autor: Wenderson França

Fotos por: Acervo Pessoal

Histórias que inspiram | 23/10/2019 12:05:34

Anexo faltante

O intercâmbio é o sonho de quase uma geração no Brasil. Talvez por estabilidade, melhores condições de trabalho, ou, quem sabe somente por viver novas experiências em novos ares. Contamos recentemente a história de Patrick Lopes, um jovem da região leste de São Paulo que foi morar nos EUA com apenas 18 anos e hoje iremos falar como Rafael, 33 anos, morador de Indaiatuba, interior de SP, mais conhecido como Primo, que saiu do Brasil para conciliar o sonho de viver grafitando enquanto mantém outro trabalho em Nova York (Brooklyn). Sonha em viver fora do país? Cola com o Portal KondZilla e fique por dentro de mais essa história.

O primeiro contato com terras americanas foi sem saber de nada, apenas com a ajuda dos amigos. “Conheci os EUA em 2011 quando fui para Miami com alguns amigos do trabalho. Não tinha nada, nem imaginava como funcionava para tirar passaporte ou visto. Eu até queria aprender a falar inglês pelo meu relacionamento com o hip hop, mas tudo era muito distante na minha mente naquela época”. Depois da experiência, ele ainda quis mais. “Lembro que meus amigos fizeram todo corre burocrático e ainda pagaram pra mim. Então, passamos 10 dias, depois disso eu quis conhecer de qualquer jeito mais lugares do mundo”, relembrou ele.

Três anos depois, ele viveria novos ares que dariam forma ao seu sonho, dessa vez incluindo a arte. “Em 2014, vim para NY passar 15 dias e foi muito mais do que eu imaginava. Andei de skate, pintei em dois lugares super importantes que foram a Tuff City e na sede da TATS CRU”. A segunda volta para o Brasil foi com os nervos a flor da pele. “Voltei pro Brasil com a minha mente em juntar um dinheiro e quem sabe um dia conseguir voltar e ter uma experiência mais longa, uma vivência mesmo”.

Mesmo com uma mão na frente e outra atrás, três anos depois o sonho se realizaria. “Vim para NY em maio de 2017 igual o Parteum cita no som: ‘Um bolso cheio de sonhos, outro repleto de interrogações’. Eu me desfiz de tudo que tinha no Brasil: tênis, coleção de boné, carro, moto, literalmente tudo”.

Entre o grafite e o corre para se manter

“Por mais sério que eu trate o grafite [como trabalho], ele ainda não me proporciona uma condição de viver somente disso. Desde o começo sempre tive uma profissão paralela”. Profissão e estilo de vida. “O Graffiti é meu lifestyle, minha terapia, minha diversão junto de mais um monte de coisas que eu curto fazer”.

As oportunidades vão aparecendo e você tem que estar preparado. “Pintar por aqui é um sonho em que eu me pego ainda quase sem acreditar. De certa forma eu sempre quis isso”, comentou ele.

“Gosto muito de absorver tudo o que esse lugar infinito tem para oferecer. Todo dia uma parada nova, um trabalho novo em um lugar que eu não sabia que existia até tipo 4h atrás, inspiração de todos os cantos e formas possíveis. Eu venho me realizando a cada dia não só artisticamente falando mas em tudo”.

Primo chegou a pintar no Hall da fama do Graffiti no Harlem. “Isso foi uma parada inenarrável. Recebi o email de convite fiquei super feliz, mas só quando chegou o flyer com o formulário dos patrocinadores e horários que caiu a ficha mesmo”.

“Sonhos eu tenho vários e quase todo dia um novo”

Se você quer alcançar o sonho, o primeiro passo precisa ser dado e Primo mostra como foi pra ele. “Sempre fui rodeado de pessoas maravilhosas, tanto dentro de casa como na rua. Assim como eu, tem muitas pessoas que amam uma parada e são excelentes no que fazem mas por algum tipo de medo ou imaginação acreditam que tudo é muito distante e acabam deixando os sonhos em segundo plano”. Pra quem largou tudo para ir atrás do sonho, nada seria fácil. “É muito duro, dá medo, a correria do dia a dia não é nada fácil, você acaba pensando mil fitas pra se jogar só que o primeiro passo precisa ser dado. Você tem que fazer por você, seu sonho jamais pode estar na mão de outra pessoa”, disse ele.

“É horrível viver longe da família, por mais que você fale todos os dias com eles. No caso da minha família, eles acreditam muito mais em mim do que eu mesmo, o que me faz não querer desistir nunca”. Mas você precisa fazer o que te satisfaz. “Faça o que te dê prazer, seja feliz em todas as circunstâncias e aprenda a valorizar o processo que as coisas levam para acontecer. Não deixe nunca de tentar”, concluiu Primo.

É possível ir de zero perspectiva de vida a sonhos gigantescos quando se tem atitude e vontade. Quase nada se constrói sozinho, mas quando se sabe aproveitar as oportunidades tudo fica claramente mais fácil. Primo saiu de Indaiatuba e foi grafitar em Nova York, então pega a visão que ele mesmo já passou. “O primeiro passo precisa ser dado”

Acompanhe o corre do Primo: Instagram

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