Por mais um ano, Festival Sons da Rua apresenta o melhor do rap em São Paulo

Autor: Wenderson França

Fotos por: Karolyn Andrade // Portal KondZilla

Rap | 03/11/2019 12:59:25

Anexo faltante

Aconteceu neste sábado, 2 de novembro, a edição 2019 do Festival Sons da Rua – um dos maiores festivais da cena do hip hop que traz o melhor do gênero. O eventou contou com shows de artistas como: Djonga, Criolo, Karol Conka, Cynthia Luz e Rincon Sapiência. Além de dar espaço para galera nova nas batalhas de rima e outros elementos da cultura de rua, como DJ’s, graffiti e moda urbana, estavam presentes no festival. Lógico, tudo isso a preço BEM acessível pra galera da favela. Essa festa aconteceu no estacionamento do estádio do Corinthians, em Itaquera. Chega mais que o Portal KondZilla te conta tudo o que rolou.

Debaixo de muito sol com o termômetro alcançando a marca dos 35º o Sons da Rua abriu seus portões às 12h para iniciar os trabalhos. Logo de início já tinha uma galera esperando ansiosamente para viver o dia e prestigiar os artistas que apresentaram um verdadeiro espetáculo na zona leste. Afinal, segundo a organização, foram um total de 15 mil ingressos vendidos, ou seja, lotação máxima.

Divididos em dois palcos sendo o principal e outro que estava rolando as batalhas de rima que se encerram um pouquinho depois do anoitecer levando os finalista Big Maike, Tody, Salvador e Miliano para o palco principal. Não diferente de 2018, o role comportou todas as tribos de fãs do hip hip: mina, mano, preto, branco, ruivo, gay, lésbica, hétero e toda diversidade que você possa imaginar. Todos em prol do promover a cultura que vem das ruas.

Os shows

Cynthia Luz foi quem puxou o bonde dos artistas no palco principal. A rapper abriu espaço para os show de Djonga, Rincon Sapiência, Karol Conka e Criolo fossem abençoados e regado de muita energia e alto astral. Além de tantos outros artistas e acontecimentos fodas que rolou no palco principal.

“A gratidão que temos com essa estrutura não dá nem pra mensurar. Nos aproxima dos nossos fãs, aproxima os nossos fãs da nossa música e aproxima as pessoas do hip hop – que é uma parada que ficou sem essa estrutura por tanto tempo”, contou a rapper Cynthia Luz. “Eu acho que de um modo geral as pessoas estão entendo o que o protesto do rap representa na vida do jovem. Quando se une geral para fomentar isso faz a cena crescer. Pra mim mano [o Sons da Rua] é vitória”.

Entre o show de Cynthia e do menino que queria ser Deus, vulgo Djonga, quem comandou o público foi a DJ Miria Alves tocando o melhor do rap nacional. Logo em seguida faltando 4 minutos para às 16h em ponto, o rapper de Belo Horizonte invadiu o palco levando o público a loucura. Em meio a músicas de protesto, consciente e love song de seu último álbum “Ladrão“. Mas também dando aquela palinha de “Heresias” e “O Menino que Queria ser Deus“. Sério, na moral, não se via sequer uma pessoa que não cantava.

Um das curiosidades do mineiro é a ligação com seu público. Com a divisão de pista front stage e pista principal, o rapper fez questão de descer para o bate cabeça e atravessar alguns metros meio aos fãs para chegar do outro lado, na pista principal onde a galera estava mais distante do palco.

“Eu não gosto desse lance da divisão. Se eu pensar como mercado vou entender, tem tênis mais caro e tênis mais barato né? Pensando enquanto mercado faz algum sentido. Mas eu, enquanto artista, não gosto, por isso, eu sempre tento colar na galera que está do outro lado”, explicou o mineiro. “Olha que aqui estamos em um festival que tem um preço acessível. Não notei tanto diferença de classe, mas pra curtir, todo mundo junto é mais legal”.

Djonga ainda falou sobre a importância de um festival como o Sons da rua para cultura do rap. “Só do preço ser acessível já estamos em um lugar diferente. A gente vê bastante preto no público e isso é legal pra caralho”. Se o estado não faz, a galera do corre faz. “E assim, diante disso temos que se juntar e se incentivar para continuar fazendo isso já que o estado não cumpre o papel dele [em promover a cultura de rua]”.

Podemos tranquilamente dizer que o rolê foi marcada por gritos de protesto contra o atual governo do país por parte do público. Em todos os shows rolou vaias e xingamentos direcionado ao presidente Bolsonaro.

Ao cair da tarde o sol resolveu dar uma trégua, mesmo que o clima continuasse abafado. Na hora do show do Manicongo, mais conhecido como Rincon Sapiência, o cantor apresentou seu show carregado de músicas dançantes. “Batalhamos a caminhada toda para poder ocupar os palcos, então todo lugar que cantamos é especial. Mas inegavelmente quando estamos na periferia a gente tem um público mais diverso”.

“Tenho experiência de outros festivais, poder dividir o palco com artistas de outros gêneros que eu acho incrível, mas dividir o palco em um festival só com a galera do hip hop acaba sendo especial porque essa é a minha formação dentro da cultura”, disse ele sobre ter passado por festivais como Lollapalooza e Rock In Rio e agora cantar de novo no Sons da Rua.

Diferente do Festival Sons da Rua 2018, em que o Rincon teve que ser retirado do palco às pressas quando uma forte chuva começou enquanto ele realizava o seu show, neste ano a apresentação ocorreu tudo bem e foi concluída com sucesso. O rapper relembrou o ocorrido. “Aconteceu né, antes de tudo foi a natureza que se manifestou com a ventania e eu tenho todo o meu respeito, talvez tinha que acontecer isso. Mas rolou o convite novamente e não houve intervenção. Eu diria que tanto o ano passado e esse foi um dia cheio de axé”, concluiu ele sorrindo.

Com a noite presente e o festival próximo de seu fim, sendo a penúltima artista a subir no palco Karol Conka também deixou uma palavrinha com o Portal KondZilla. “Tocar nesses festivais, pra mim, é o mais legal porque é a minha linguagem, é da onde eu realmente vim. Embora hoje eu seja uma artista reconhecida a minha fala é diretamente com esse público, a minha mensagem fala muito sobre autoestima, sobre passar por obstáculos realmente de cabeça erguida. Esse tipo de festival é o que realmente me representa”, disse ela depois de uma hora inteira de troca de energia com 15 mil pessoas.

Para finalizar com chave de ouro o encontro dos sons das ruas, quem esteve presente mandando boas energias na volta de todos foi Criolo. E acredite, mesmo exausto depois de quase 10h de Sons da Rua o público acompanhou a vibe do artista, cantando fortemente seus sucessos. Já quem não aguentou em pé sento-se no chão mesmo para não perder o show de um dos rapper que fez a cena acontecer e chegar a essa proporção que o gênero musical vive hoje.

Por mais um ano o Festival acerta em cheio em sua proposta. O lineup trouxe nomes fortes do rap atual a um preço acessível para o público, continuou com as batalhas de rimas (porta de entrada para cantores de rap) para trazer novos nomes ao evento, a estrutura atendeu as necessidades do público sendo de qualidade e em um espaço que comportava todo mundo. Finalmente o rap nacional encontrou um parceiro para promover os Sons da Rua, que venha 2020.

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