MC Peninha é cria das rimas no metrô e das batalhas de rap

Autor: Karolyn Andrade

Fotos por: Reprodução // Redes Sociais

Rap | 03/12/2019 18:22:16

Anexo faltante

De Guarapiranga, extremo sul de São Paulo, Lucas Vinícius, 18 anos, é conhecido como MC Peninha. Ele sustenta o sonho de produzir e lançar suas músicas autorais rimando nos vagões de trens e metrô. Talvez você tenha presenciado ele por aí, com sua caixinha, sorriso no rosto e a clássica bolsa laranja nas costas. Cola no Portal Kondzilla para conhecer a história de mais um jovem de quebrada que pretende quebrar tudo na cena do rap nacional.

Com um boombap daqueles de estralar as caixas de som, o MC utiliza de todas suas experiências em suas rimas e fala sobre racismo, empoderamento do homem negro e muita indignação com as estruturas sociais. Peninha começou a rimar nos ônibus com seu amigo Hojin. Depois, os dois passaram para os vagões do metrô, geralmente eles percorrem São Paulo nos horários antifluxo “Já vivi diversas situações nos trens, mas nada paga ver o sorriso no rosto das pessoas, saber que elas me ouviram e consegui levar um pouco de alegria no seu dia”, conta o MC.

Inspirado em grandes nomes da cena como Djonga, BK‘, o artista de apenas 18 anos sabe bem onde quer chegar, seja nos vagões dos trens, nas batalhas de rua ou em cima de um palco, seu propósito é fazer a diferença levantando sua voz por todos negros, “quando eu estou no palco sinto que lá é o meu lugar, me sinto extremamente confortável lá sentindo a energia cara a cara das pessoas”.

Embora existam dificuldades em rimar nos trens por não ser permitido pela CPTM, a renda do MC renda vem inteiramente de lá. “Às vezes consigo ganhar o dinheiro estipulado em algumas horas, outros dias são mais difíceis, algumas pessoas não gostam, elas estão no direito delas, mas eu estou tentando ganhar meu dinheiro”, mas seu amor pelas batalhas é enorme.”O foda da batalha é a energia e loucura do momento. Antes de começar a escrever minhas músicas, a batalha era meu lugar favorito. Depois tudo mudou, principalmente depois de pisar no palco pela primeira vez”.

Sua primeira experiência no palco foi um show em um desfile. “Uma música minha tinha vazado e a quebrada toda não sei como curtiu, quando eu entrei no palco a galera estava cantando: Peninha! Peninha!”, “a sensação foi absurda”. Ele faz também oficinas na comunidade sobre música e debates de empoderamento da periferia.

Compositor desde cedo, seu primeiro clipe “Queime o Incenso“, foi a primeira música que escreveu, o motivo de lançar essa mesmo tendo um caderno cheio de composições, foi justamente pelo significado. “O resultado de quando comecei a cantar ela foi muito positivo, tanto que decidi que pelo valor emocional independente de quantas voltas o mundo estivesse dando, esse seria meu primeiro single”, comenta.

“A meta é fazer história como Racionais, não tem jeito. Eles trouxeram mudanças pra muitas pessoas, apresentaram temas desconhecidos por muitos das quebradas em uma época que não se tinha o auxílio da internet”. Peninha é um cara ativo na quebrada, recebeu todo incentivo de lá. “A quebrada começou a reconhecer coisas que eu vinha fazendo, então acho que foram eles que olharam pra mim e falaram: ‘ok, o Peninha é um artista mano, vai com tudo!'”.

Atualmente ele continua rimando nos vagões, mas assinou um contrato com a gravadora WikiPowers, sua proposta é que suas composições possam cativar as pessoas além de falar sobre a realidade que vive por ser um cara negro de quebrada, “Quero tocá-las da forma que outros artistas me tocaram saca? essa é a parada, causar a mudança que só foi possível através de artistas que me inspiram como: Brrioni, BK’, Djonga, Racionais“.

Mesmo com o apoio de toda comunidade e família, é difícil não desistir do sonho, afinal sabemos que não é fácil viver de música, sorte nossa que ele não desistiu. “Meu pai, minha mãe, família e amigos são meus maiores apoiadores, eles acreditam em mim até quando eu não acredito, isso me dá gás, porque eu quero viver do que amo e mudar a realidade dos meus parceiros”.

Peninha já subiu ao palco do lado do Djonga quando foi na quebrada e pediu para subirem os manos das rimas, óbvio que o MC não podia perder a oportunidade. “Foi muito massa dividir o palco com ele ao lado dos meus amigos e rimar que é o mais amo fazer, quem sabe um dia rola um feat”.

O hip hop foi trilha sonora da sua vida desde cedo, foi através do estilo que teve contato com diversos temas sobre as estruturas sociais, como o racismo. “Fui o primeiro da escola que colocou tranças aos nove anos e foi o período que mais sofri racismo”. Ele acabou tirando na mesma semana embora hoje ele reconheça que tinha sofrido preconceito. “Mais velho eu fiz de novo e com uma mentalidade mais estruturada ignorei e quis fazer mais do que isso, criei o coletivo Fronttx e meu objetivo passou a querer que outros negros se sentisse bem em sua pele como eu passei a me sentir”.

Com muita confiança e interesse em amplificar diálogos, o MC Peninha promete conquistar seu lugar na cena e com isso inspirar  mais pessoas que possam vir depois dele, que a galera das quebradas vejam nele alguém que acredita neles.”No final das contas é nós por nós e eu acredito muito nos artistas de rua, eles irão mudar todo o sistema”.

 

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