Lucas Lins mostra que a quebrada também é lugar de poesia

Autor: Wenderson Fraça

Fotos por: Reprodução // Instagram

Histórias que inspiram | 13/06/2019 10:32:06

Anexo faltante

“A poesia me trouxe perspectiva. Sem ela ‘eu seria só um neguinho vendo tudo do lado de fora’, como cantou Mano Brown”, inicia a conversa Lucas Lins.  A vida não é um mar de rosas, mas existem caminhos e soluções. Lucas Lins, 21, morador da maior Cohab da América Latina, em Cidade Tiradentes, encontrou o caminho dos seus sonhos na poesia. Mesmo sem recursos e passando por um momento muito difícil em sua vida, ele escreveu o livro “Declínio & Esplendor da Bicicleta” e vem tentando viver da paixão pela escrita. Cola mais que o poeta trocou uma ideia com o Portal KondZilla e contou tudo sobre sua caminhada.

A poesia é de quebrada, a inspiração veio de momentos difíceis. Assim como a maioria dos jovens de favela, Lucas Lins não sabia o que queria fazer, até que conheceu a poesia. “O trabalho com a poesia despertou a minha vocação. Até o 1° ano do ensino médio, eu não sabia de fato o que era a prova do Enem, Fuvest, ou se quer um vestibular”.

Se descobrir dentro de uma arte e até mesmo na vida, para alguns, não é uma tarefa nada fácil, seguir acreditando e colocando os objetivos em prática, talvez seja algo ainda mais difícil. No caso de Lins, tudo aconteceu em meio a separação de seus pais e tantas outras situações que o afligia. “Meu livro aconteceu antes de ser escrito. Sāo conflitos familiares, crises de fé, desemprego, reprovaçāo em vestibulares. A única coisa que fiz foi colocar isso tudo no papel com a força que a arte me trouxe”.

Vivemos carregando ideias dentro de nós que por algum motivo não colocamos em prática. O poeta mostra que quando se quer fazer algo, não existe desculpa. Afinal, após a escrita de seu livro, ele produziu de uma forma totalmente artesanal o material e faz o acabamento em sua própria casa, tudo à mão. “Eu que produzo os livros, o dinheiro vem todo do meu bolso. Imprimo os textos em folhas A4, dobro todas as folhas na sequência numérica do livro, costuro o miolo e colo a capa”. De quebrada pra quebrada, Lins ainda cita Danilo Lago, artista de Guaianazes que o ensinou a produção artesanal de seus livros de poesia a quem mostra ser totalmente grato.

Trabalhos incríveis quase sempre são elaborados em equipe, no caso de Lins, ele conta com uma produção em par. A parceria vem de sua namorada, Estefani Regina, quem o ajuda com a amarração dos livros e dá suporte na produção.”Ela é a minha primeira leitora. Sincera em suas palavras, me faz trazer clareza aos meus versos para que alguém que nāo é da poesia consiga entender, sem perder a força do meu poema”, concluiu o poeta ao falar de sua namorada.

Primeiro trabalho no YouTube

A poesia de Lins não se prende a folhas de papéis, com quase mil seguidores no Instagram, onde faz a divulgação de seu trabalho, o poeta vive a era da internet e investe cada vez mais seu tempo entre a escrita e a redes. O reflexo do corre de Lins foi o seu primeiro ‘vídeo-poema’ intitulado de de “McDonald’s na Quebrada”. O vídeo trata do primeiro quiosque de sorvete da rede do fastfood aberto no bairro Cidade Tiradentes. O feito chegou a sair em diversos sites e inspirou Lins a gravar o poema em vídeo que rendeu cerca de 20 mil visualizações em uma página do bairro no Facebook.

Seja na poesia ou na música, o importante é você acreditar no seu talento e correr atrás. Lucas Lins já está prestes a levantar vôo e alcançar novos lugares. E você já correu atrás dos seus sonhos? Tem uma história interessante? Conte para nós do Portal KondZilla. Caminhadas como a do poeta Lucas Lins nos inspira a seguir os nossos objetivos. Busque os seus sonhos com as armas que estão a sua disposição e o êxito vem com o tempo.

Gostou da história do poeta de favela então não deixe de apoiá-lo adquirindo seu livro “Declínio & Esplendor da Bicicleta” diretamente pelas redes sociais dele @Poesialucaslins no Facebook e Instagram.

Deixamos uma das poesias do rapaz abaixo:

EQUILÍBRIO
Me pego falando de saudade
só falo de quem me acompanha
como a bicicleta azul que você me guiava.
A cada pedalada
um sorriso.
Não tinha garupa
sentava no quadro
com as mãozinhas no guidão.
Hoje o barulho de correntes
é minha mente
brincando de bobinho.
Dirão que o tempo cura
o terapeuta,
o psicólogo.
eu
renovei o espírito
escrevo sobre equilíbrio
porque não sei andar de bicicleta.

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