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468 de São Paulo: entenda elementos característicos da massa funkeira dentro da cidade

- Por Wenderson França

468 de São Paulo: entenda elementos característicos da massa funkeira dentro da cidade

Estoura as Chandon, faz chover, manda pro ar pois é dia de festa, a capital paulistana comemora 468 na atividade! Celebrando juntos o progresso dos nossos becos e vielas, de quebrada para quebrada: seja na sul, leste, norte ou oeste; entenderemos um pouco da individualidade cultural de São Paulo, onde a dança que manda é o magrão, no paredão o mandelão, os bailes de funk são acompanhada pelas umbrellas [guarda chuva] e chamar os amigos de parça é comum. Cola com a KondZilla e pega a visão!

O que é a cultura? Cultura nada mais é do que comportamentos, tradições e conhecimentos de um determinado grupo de pessoas, incluindo a língua, as comidas típicas, as religiões, música local, artes, vestimenta, entre inúmeros outros aspectos. No universo do funk, a diferença cultural entre os estados, pode passar despercebido por olhos nús, mas para os apaixonados pelo ritmo é algo nítido. No entanto, estamos falando de vivências e cada uma carrega o seu estilo quebrada de viver da melhor forma. Afinal, somos funk, somos favela, somos mundo! 

Características do funk na cidade de São Paulo 

Baile de rua – Como o próprio nome já diz os bailes ou fluxo de rua acontecem ao ar livre, geralmente dentro das quebradas, onde mesmo marginalizados costumam reunir pessoas de todos os cantos de São Paulo, arrastando assim multidões de apaixonados por funk. Picos como: DZ7, Marcone, Casinhas, 12 do Cinga, Pantanal, Helipa, Ruinha e outros são bastante característicos do estado e compõem diversos sons tocados dentro das comunidades. Ta fim de encostar nos fluxos em São Paulo? Não esqueça de separar o melhor kit, lupa bala, umbrella de quebra e lógico a intera do drink. 

Dança – Funk é sinônimo de dança, não é mesmo? Em São Paulo, diversos passinhos pegaram, sendo os mais recentes: Passinho dos Malokas, Passinho do Romano e o famoso Passinho do Magrão que está na graça dos quebradas até hoje nos quatro cantos da capital paulista. Para os mais tímidos e tímidas, os famosos posturados, a dança é composta pelos dedinho pro alto, tapa no vento ou quem sabe aquela levadinha com os braços enquanto manda o “Eh, Oh…”

Subgêneros – Diversos subgêneros compõem o funk paulista, sendo alguns deles mais conhecidos o conscientes, ousadia, ostentação, mandelão e mais. Acontece que, no geral, é bastante fácil notar um som escrito ou produzido por um artista paulista e você vai entender o porquê.

  • O funk consciente paulista é popular por passar mensagens de superação, instruir os menor ir em busca do sonho e até vem comentando política nos últimos anos na voz de artistas como MC Leozinho ZS e MC Hariel. Outro ponto muito comum é a batida com uma maior levada em 130 BPM, aquela parada mais rasteira para escutar no pião na nave.
  • O Funk ousadia de são paulo ou melhor o funk putar#*, assim como em outros estados, carrega os elementos básicos que não dá pra fugir: o atrevimento. Mas para identificar é algo bem fácil, afinal diferente do Rio de Janeiro que tem o beat mais acelerado ou em BH com o beat mais lento, com o ponto reduzido, em São Paulo as letras de ousadia levam uma produção com o beat dando destaque pra características eletrônicas e mistura de composições artísticas. Quer ouvir um funk putari#* São Paulo? Busca nomes como: MC Lan, MC Pedrinho, MC Teteu, MC Dricka, MC GW, MC Livinho e outros.
  • Funk ostentação é um ritmo que nasceu em meados de 2010, na capital de São Paulo, a vertente fala sobre carros importados, jóias, roupas gringas, produtos de luxo e mulheres. Foi assim que os MCs começaram a cantar para gerar identificação com o público das quebradas, no caso que todos têm em comum, a vontade e os sonhos de ter o que há de melhor: os melhores kits, os melhores carros, as melhores motos e muito dinheiro, dando início ao funk ostentação. Hoje, alguns MCS como MC Hariel e MC Neguinho Kaxeta discutem, como na entrevista do Podpah, que o termo devia ser ‘’superação’’ pois segundo eles, ostentar parece ser melhor que alguém e isso não é a nossa cara do funk.

Kit – Se vestir bem provavelmente é um dos primeiros quesitos pra colar com os quebrada em São Paulo, são diversas peças que não podem faltar no guarda roupa na hora de compor o kit da grande maioria dos funkeiros: nos pés um Mizunão de Mil, Adidas Springblade, 12 molas, Nike Shox, Nike TN, Casual da Lacoste; a peita não pode faltar, como uma polo da Lacoste, Oakley, Tommy, Nike, velha camiseta de time seja nacional, internacional ou várzea; a calça joga um jeans, moleta, uma cyclone; na cabeça vai aquele clássico boné da Lacoste, Gascan da Oakley, Crochê ou manda aquele penteado bala mesmo como um clássico Blindado ou Surfista.

As minas não ficam atrás, mas não mesmo. Afinal, elas também gostam de chavea e não abrem mão de portar uma Lacoste, Planet, Sal e Pimenta, Bubu, os tênis vão os clássicos citado acima, as pratas no pescoço, unha de fibra, sobrancelha pigmentada ou fio a fio e aquele cabelo bala. Mas é aquilo, quer saber mesmo a preferência das minas de São Paulo? Preparamos um vídeo lá no Portal KondZilla do Youtube onde a Tayna Medeiros passou o papo. 

Gírias – Gírias são expressões utilizadas geralmente em contextos informais, ou seja, naquele bate papo com os aliados da favela. Elas costumam representar a fala de um grupo ou região. Logo as gírias de São Paulo na grande maioria são diferentes das do Rio de Janeiro, por exemplo. Dentro de São Paulo algumas gírias clássicas são: parça, mandrake, bala, encosta, goma, agradece,mó fita, perreco, moiado, relíquia, liga nois, banca, sem visão, atrasa lado, lupa, desacerto, Zé povinho e muitas outras. Quer saber o significado delas? Confere no conteúdo disponível abaixo. 

Gostou de saber algumas características do funk de São Paulo e saber mais? Cola lá no Instagram da KondZilla e pede a parte dois desse texto que logo traremos para vocês. É de outro estado? Então, não esqueça de comentar algumas características do funk na sua quebrada. São Paulo respira funk e não tem jeito: 468 anos no progresso.  

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