Jovem de 25 anos que lidera estúdio de IA em Hollywood atrai investimento de Carmelo Anthony
Aos 25 anos, a cofundadora da Utopai Studios, Cecilia Shen, tornou-se figura central na corrida por produções cinematográficas com inteligência artificial em Hollywood, após a startup do Vale do Silício receber aporte do ex-jogador da NBA Carmelo Anthony.
Anthony, de 41 anos e integrante do Hall da Fama do basquete, firmou parceria com a Utopai por meio de sua produtora Creative 7 Productions para produzir vídeos gerados por IA sobre sua trajetória e outras narrativas esportivas. O valor do investimento não foi divulgado oficialmente; a Forbes estima que Anthony tenha aportado cerca de US$ 5 milhões, quando a Utopai já tinha valuation de US$ 1 bilhão.
Origem e tecnologia
A empresa surgiu em 2022, inicialmente chamada Cybever, fundada por Shen e pelo engenheiro de software Jie Yang, após ambos atuarem em áreas experimentais de tecnologia — Shen deixou a Universidade de Waterloo durante a pandemia e passou pelo Royal Bank of Canada, e Yang trabalhou na divisão X do Google. A partir de ferramentas voltadas para ambientes 3D em videogames, a dupla identificou aplicação para cinema e televisão.
Em março, a Utopai lançou a plataforma proprietária de narrativa PAI, que permite criar modelos de personagens reutilizáveis e ajustar ângulos de câmera, performances e cenários sem re-renderizar sequências inteiras. Nos primeiros 60 dias após o lançamento, a tecnologia gerou US$ 11 milhões em receita recorrente anual por meio de licenças para produtoras internacionais.
Expansão, projetos e modelo de negócios
Com o crescimento de receita — de US$ 750 mil em 2024 para estimados US$ 7,5 milhões na primeira metade de 2025 — Shen decidiu transformar a Utopai de fornecedora de tecnologia em estúdio, trazendo o produtor Marco Weber como co-CEO para financiar produções próprias. Entre os projetos anunciados estão a série de ficção científica Space Nation, comandada por Roland Emmerich, e o épico histórico Cortés, roteirizado por Nicholas Kazan.
A estratégia híbrida prevê filmar atores reais e integrar atuações a ambientes digitais, reduzindo o quadro necessário por produção para cerca de 30 a 40 profissionais — uma fração das centenas exigidas em projetos tradicionais. A Forbes estima que cada título possa custar menos de US$ 10 milhões, bem abaixo dos orçamentos superiores a US$ 250 milhões de grandes blockbusters.
Mercado e recepção internacional
A Utopai já firmou vendas antecipadas de direitos internacionais com emissoras como a Globo (Brasil) e a ZDF Studios (Alemanha). Shen diz ver menor resistência a produções com IA em mercados como Indonésia, Malásia e Colômbia, onde a tecnologia facilita a produção local em escala.
Imagem: Cody Pickens/Forbes
Além de Anthony, a Utopai recebeu investimentos de nomes ligados a Hollywood e mídia, incluindo PlutoTV, o ex-presidente da Paramount+ Tom Ryan, e apoio criativo de Roland Emmerich. Em abril, a empresa também assinou acordo com a produtora chinesa Huace, num momento em que microdramas gerados por IA já movimentam uma indústria significativa na China.
Contexto da indústria
O surgimento da Utopai ocorre num período de expansão acelerada: relatório setorial aponta mais de 65 novos estúdios de IA desde 2022. Grandes movimentações incluem acordos e aquisições envolvendo OpenAI, Disney, Netflix, Runway, entre outros. Ao mesmo tempo, sindicatos de Hollywood demonstram preocupação com o impacto da automação sobre empregos criativos.
Shen tem destacado que a base de dados usada pela Utopai para treinar modelos é livre de problemas de copyright, e afirma disposição para dialogar com sindicatos e preservar decisões criativas humanas. Em abril, a Utopai também fechou parceria com o astro da NBA James Harden para um vídeo animado de curta duração.
Segundo a Forbes, a receita da Utopai ficou abaixo de US$ 50 milhões em 2025, e a empresa mira consolidar-se como estúdio de conteúdo de longa duração, procurando ampliar clientes globais e licenciar sua tecnologia PAI para produtoras.
Com informações de Forbes