Inquilinos de entretenimento remodelam o mercado imobiliário de varejo
Empreendimentos de entretenimento estão redesenhando o mercado de imóveis comerciais ao ocupar espaços vagos deixados por grandes lojas, segundo levantamento da JLL. A demanda por experiências locais cresceu mesmo com a inflação de 12 meses em 3,3% registrada em março, e à medida que viagens mais caras — uma viagem de três dias à Disney World pode custar cerca de US$ 2.800 (aproximadamente R$ 14.000) sem passagens nem hospedagem — deixam de ser viáveis para parte das famílias.
O que está ocorrendo
O estudo da JLL avaliou 207 operações que somam 4.746 unidades nos Estados Unidos e no Canadá, além de outras 721 unidades planejadas ou já anunciadas. No total, a demanda identificada alcança 16,5 milhões de pés quadrados (1,53 milhão de metros quadrados), mostrando que o entretenimento presencial deixou de ser complemento e virou categoria principal de ocupantes.
A vacância das grandes lojas virou oportunidade
O fechamento de cadeias como Big Lots, Bed Bath & Beyond e Party City liberou justamente os tipos de espaços buscados pelos operadores de entretenimento: lojas de 25.000 a 50.000 pés quadrados (2.323 a 4.645 m²) em áreas suburbanas e de fácil acesso. Esse porte responde por 38% das novas unidades planejadas, equivalendo a cerca de 10,8 milhões de pés quadrados (1 milhão de m²). Exemplos desse nicho são parques de trampolim e espaços infantis, como Sky Zone e Urban Air, que apostam em visitas recorrentes.
Formatos menores e visitas recorrentes
Há também forte movimento em espaços de 5.000 a 10.000 pés quadrados (465 a 929 m²) — usados por escape rooms, salas de desafios e formatos de entretenimento social competitivo como Puttshack e Flight Club — que representam cerca de 30% das novas unidades planejadas. O modelo baseado em repetir visitas (festas, programas regulares, grupos) sustenta contratos de longa duração e mantém fluxo fora dos picos de fim de semana.
Para onde está indo o crescimento
Os números mostram aceleração: escape rooms e salas de desafios tiveram aumento de 247% no número de unidades em operação desde 2023, e a área planejada cresceu quase 600%. Entretenimento social competitivo avançou 84%. Parques de trampolim e áreas infantis somam 354 novas unidades anunciadas, quase metade das inaugurações previstas no banco de dados analisado.
Geografia e tipos de ativos
Quase 80% das mudanças de operador entre 2019 e 2026 ocorreram em subúrbios, e o tamanho mediano dos empreendimentos subiu cerca de 50%. Power centers e lifestyle centers dobraram sua participação na absorção desses operadores desde 2019, ampliando o leque além dos shoppings tradicionais. Projetos de maior custo e tematização tendem a se concentrar em distritos centrais e shoppings Classe A, enquanto formatos mais acessíveis — com ingressos entre US$ 30 e US$ 60 (R$ 150 a R$ 300) — se expandem em centros abertos e power centers.
Imagem: Allen J. Schaben/Los Angeles Times via Getty Images
Mercado e financiamento
No primeiro trimestre de 2026, o volume de transações superou US$ 15 bilhões (R$ 75 bilhões), o melhor início de ano desde 2023, impulsionado por investidores institucionais. A vacância estrutural próxima das mínimas históricas favorece proprietários com ativos de qualidade, e os operadores de entretenimento mostram-se ocupantes motivados e financeiramente capazes de absorver esses espaços.
Os 16,5 milhões de pés quadrados em desenvolvimento não representam apenas uma tendência passageira: traduzem a busca de famílias por opções de lazer mais acessíveis e próximas de casa, alternativas a viagens dispendiosas como um fim de semana em Orlando.
Com informações de Forbes