Empreendedorismo

IG4 assume controle da Braskem e prepara recuperação extrajudicial e venda de ativos

03.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A gestora IG4 assumiu formalmente o controle da Braskem nesta quarta-feira (3), após a Novonor transferir suas ações para a casa fundada por Paulo Mattos. Com a operação concluída, IG4 e a Petrobras passam a dividir o comando da maior petroquímica do Brasil.

O movimento encerra um processo iniciado em dezembro de 2025, quando a IG4 adquiriu créditos detidos por Itaú, Santander, Bradesco, Banco do Brasil e BNDES contra a Novonor, com garantias nas próprias ações da Braskem — um passivo que somava perto de R$ 19 bilhões.

Na próxima segunda-feira (8) será realizada uma assembleia extraordinária para eleger o novo conselho de administração e a diretoria executiva. Para o board foram indicados nomes como Luciano Coutinho, ex-presidente do BNDES (2007–2016), como conselheiro independente; Walter Susini, ex-executivo global da Coca-Cola e Unilever, responsável pela estratégia internacional e pelo negócio de polímeros verdes; Hélio Novaes, sócio-diretor da IG4 e ex-Alvarez & Marsal; e Octavio Lopes, ex-CEO da Light.

O conselho será presidido por Magda Chambriard, presidente da Petrobras, com Hélio Novaes como vice-presidente. Após a operação, a IG4 detém 50,1% das ações com direito a voto da Braskem, a Petrobras tem 47% e a Novonor permanece com 4% em ações preferenciais, sem direito a voto.

Nova diretoria e plano financeiro

O executivo Helcio Tokeshi, que comandou a operadora portuária CLI, foi confirmado como novo CEO da Braskem. A diretoria financeira ficará com Carlos Brandão, ex-CFO da Oi durante sua recuperação judicial e ex-CEO da Iguá Saneamento.

A prioridade imediata da nova gestão é negociar a reestruturação financeira da petroquímica. A proposta que será levada aos credores na próxima semana prevê um standstill de 90 dias — suspensão temporária de pagamentos — como primeiro passo para uma recuperação extrajudicial.

Imagem: Imagem Divulgação

O pacote de negociações inclui também a subsidiária mexicana Braskem Idesa, joint venture com o grupo Idesa, que está perto de pedir recuperação judicial nos Estados Unidos via Chapter 11. Como existe um contrato de suporte financeiro entre as empresas, um pedido nos EUA pode gerar obrigações adicionais para a matriz brasileira — o chamado cross-default.

Endividamento e desinvestimentos

Os resultados do primeiro trimestre de 2026 mostram a dimensão do desafio: a dívida líquida ajustada fechou março em US$ 9,4 bilhões (cerca de R$ 48 bilhões), alta de 9% em relação ao mesmo período do ano anterior, com alavancagem de 16,81 vezes o Ebitda recorrente. A companhia tem cerca de US$ 1,5 bilhão em vencimentos ainda em 2026.





A nova administração também pretende avançar com desinvestimentos. Estão na lista terminais portuários, usinas de geração de energia e unidades de tratamento de resíduos. A Braskem opera terminais em Triunfo e Rio Grande (RS), Duque de Caxias (RJ) e no Porto de Aratu (BA).

Com informações de Investnews

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