Honda registra primeiro prejuízo anual e anuncia recuo em aposta nos elétricos
A Honda divulgou nesta semana seu primeiro prejuízo anual desde a abertura de capital, resultado de perdas relacionadas ao abandono de ambiciosos projetos de veículos elétricos. A montadora japonesa informou perda anual de cerca de US$ 2,7 bilhões, motivada por custos que somam aproximadamente US$ 10 bilhões vinculados à revisão de sua estratégia de elétricos na América do Norte.
Toshihiro Mibe, CEO da empresa, disse que a prioridade agora é “tentar estancar a sangria o mais rápido possível”. A declaração resume a mudança de rumo após anos de investimentos elevados em tecnologia e fábricas que não serão concluídas ou lançadas no mercado.
A Honda, atualmente a quinta maior fabricante de automóveis nos EUA por volume de vendas, enfrenta pressão em seu principal mercado por tarifas, o avanço de concorrentes chineses e a retração na demanda por veículos totalmente elétricos nos Estados Unidos. A empresa relatou que a participação de elétricos nas vendas de carros novos, que executivos esperavam chegar a cerca de 15%, está hoje na faixa de 6%.
Modelos elétricos
Entre os projetos cancelados estão três modelos elétricos que seriam fabricados em Ohio e um complexo de produção no Canadá avaliado em US$ 11 bilhões, que contemplava veículos, baterias e materiais. A Honda também anunciou o recuo do plano de eliminar motores a combustão até 2040.
Em vez de prosseguir exclusivamente com elétricos, a empresa passará a apostar em veículos híbridos. O plano prevê um sedã e um SUV direcionados ao mercado norte-americano em 2027, além do lançamento de mais de uma dezena de modelos híbridos globalmente até 2030. Mibe informou que espera retornar à lucratividade no atual ano fiscal, embora admita a possibilidade de novas baixas contábeis relacionadas aos elétricos.
A Honda havia feito parcerias para acelerar sua transição tecnológica, entre elas com a General Motors. O primeiro produto dessa aliança, o SUV elétrico Prologue, foi baseado na plataforma da GM e chegou a ser o sexto elétrico mais vendido em 2025, mas suas vendas despencaram: nos primeiros quatro meses deste ano, o volume ficou abaixo da metade do registrado no mesmo período do ano anterior.
Imagem: Imagem Divulgação
Além de reforçar investimentos em software e baterias, a Honda sinalizou que buscará tecnologia local em mercados como a China por meio de parceiros, com o objetivo de recuperar competitividade sem abandonar totalmente a flexibilidade estratégica entre elétricos e veículos movidos a combustão.
A montadora, reconhecida por sua tradição em engenharia e pela trajetória que a transformou em um gigante global a partir da fabricação de motocicletas, agora enfrenta a tarefa de ajustar investimentos e parcerias para estabilizar suas finanças e alinhar a oferta ao comportamento do consumidor.
Com informações de Investnews