Europa lança pacote para reduzir dependência tecnológica em chips, nuvem e IA
A Comissão Europeia apresentou em 3 de junho de 2026 um pacote de propostas destinado a reforçar a produção de chips, os serviços de inteligência artificial (IA) e as ofertas de computação em nuvem desenvolvidas dentro do bloco. A iniciativa visa diminuir a crescente dependência da União Europeia em relação a fornecedores dos Estados Unidos e da China.
O que foi anunciado
As medidas, que só entram em vigor após aprovação pelos 27 Estados-membros, incluem ações para estimular a fabricação avançada de semicondutores e impulsionar serviços de nuvem de origem europeia, segundo informações divulgadas pela CNBC. A Comissão defende que o reforço dessas áreas é necessário para proteger serviços essenciais e reduzir riscos em situações de crise.
Quem e como
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, afirmou em nota que “não podemos nos dar ao luxo de depender de outros para as tecnologias que mantêm nossos hospitais funcionando, nossas redes de energia estáveis e nossos serviços seguros”. Em entrevista a jornalistas, a vice-presidente executiva Henna Virkkunen destacou que o objetivo é evitar que provedores estrangeiros tenham a capacidade de interromper serviços críticos.
Cloud and AI Development Act (CADA)
Um dos pilares do pacote é o Cloud and AI Development Act (CADA), criado para “mitigar os riscos decorrentes da dependência da UE de países terceiros para serviços de computação em nuvem”. O instrumento estabelece um marco europeu com diferentes níveis de soberania exigidos para a nuvem quando aplicada a cargas de trabalho sensíveis em organizações públicas.
Virkkunen disse que a intenção é garantir que provedores responsáveis por cargas críticas não possuam um “interruptor de desligamento” capaz de cortar o acesso aos serviços. Ela também afirmou que será difícil para empresas americanas atingir os níveis mais elevados de soberania previstos no marco devido ao Cloud Act dos EUA, que permite a autoridades americanas solicitar dados de empresas norte-americanas independentemente do local de armazenamento. “Queremos garantir que nossos dados sensíveis mais críticos sejam armazenados na Europa”, declarou a vice-presidente executiva.
Contexto e objetivos
O anúncio ocorre em um cenário de pressão geopolítica e aumento da demanda por poder computacional, energia e profissionais qualificados. Autoridades europeias defendem maior autonomia tecnológica para o continente, ao passo que especialistas alertam sobre o risco de perda de competitividade caso as regras se tornem excessivamente restritivas.
Imagem: Imagem Divulgação
Como resultado, a Comissão pretende promover:
- Fortalecimento da produção de semicondutores na Europa;
- Criação de regras para serviços de nuvem e IA;
- Redução da dependência tecnológica de EUA e China;
- Proteção de dados sensíveis em território europeu.
As propostas seguem agora para debate e votação entre os 27 Estados-membros da União Europeia.
Com informações de Olhardigital