Entenda como “espero que retirem o cavalinho”, diz ex-presidente da ferrari sobre novo carro
Ferrari em choque: lançamento do Luce divide fãs, derruba ações e provoca pedido de remoção do emblema
O primeiro elétrico de quatro portas da marca, criado com Jony Ive, custa €550 mil e acende um debate sobre identidade e futuro
O anúncio do Luce surpreendeu o mercado. Em poucas horas, as ações da Ferrari caíram, investidores questionaram a decisão estratégica e a internet encheu-se de críticas ao visual do modelo — um quatro-portas de cinco lugares que custa meio milhão de euros.
O projeto, desenvolvido em parceria com LoveFrom, o estúdio do ex-diretor de design da Apple Jony Ive, foi apresentado como a entrada definitiva da marca na era elétrica. Em vez de aplausos, porém, houve tensão: líderes históricos da empresa e figuras públicas reagiram com dureza.
Para muita gente, o choque vai além do preço. O luzeiro do debate é uma pergunta simples e imediata: a Ferrari perdeu parte de sua alma ao apostar em um carro familiar movido a bateria?
Reação pública, riscos de mercado e destino do Luce
Um ex-presidente com papel central na história da montadora pediu publicamente que o símbolo tradicional fosse retirado do modelo — um gesto simbólico que revela a intensidade da rejeição entre a elite da marca. Outros veteranos chegaram a qualificar a novidade como uma ruptura com a identidade clássica da Ferrari.
No campo político, líderes expressaram surpresa e desaprovação, transformando o lançamento em assunto de debate público. Nas redes, o design tornou-se alvo de memes e comentários ácidos, amplificando a queda das ações.
Imagem: Imagem Divulgação
Gestores de fundos apontaram que a reação não é apenas estética: há preocupação sobre como a ampliação da linha para elétricos pode afetar a percepção de exclusividade e o poder de precificação da Ferrari. Ainda assim, a empresa mira novos públicos — incluindo compradores de luxo na China e executivos do setor de tecnologia — e espera entregar as primeiras unidades no último trimestre do ano.
O caso expõe um dilema maior do setor de luxo: conciliar tradição e som de motor com as exigências de um mercado cada vez mais elétrico. A Ferrari já adiou planos para um segundo elétrico, empurrando parte da transição para o fim da década, numa tentativa de equilibrar inovação e preservação da marca.
Ao final, o Luce virou mais que um carro: tornou-se um teste público sobre até onde uma marca histórica pode ir sem perder o que a tornou lendária. O relógio agora corre até as entregas — e até lá, cada reação será interpretada como termômetro do futuro da Ferrari.