Empresa de IA voltada a vendas planeja crescer 30% em 2026 sem captar recursos externos
A Escale, empresa brasileira de tecnologia que desenvolve soluções de inteligência artificial para áreas comerciais, encerrou 2025 com faturamento de R$ 100 milhões e projeta aumentar a receita em 30% em 2026, alcançando R$ 130 milhões sem recorrer a novos aportes externos.
Segundo a companhia, a estratégia é financiar a expansão com recursos próprios para acelerar o desenvolvimento do produto e a conquista de clientes, diante de um cenário em que o custo de capital permanece alto. O fundador da empresa, Ken Diamond, afirma que o foco atual é a execução operacional e que, por esse motivo, não há necessidade imediata de buscar investimento externo.
A expectativa de crescimento é apoiada pela adoção de agentes de IA em setores como serviços financeiros, telecomunicações e educação. Em 2025, a Escale informa ter contribuído para a geração de R$ 3,5 bilhões em vendas para clientes, incluindo BV, Claro e C6 Bank.
A empresa atua, principalmente, em operações comerciais consideradas complexas — como financiamento de veículos, concessão de crédito, produtos de telecom e planos de saúde — áreas que historicamente dependiam de equipes humanas para boa parte do processo comercial.
Mercado brasileiro e vendas conversacionais
O fundador da Escale também destaca que o mercado de inteligência artificial no Brasil vem amadurecendo: depois de uma fase de pilotagem, empresas começam a direcionar investimentos para aplicações que gerem receita e aumentem produtividade. Para muitos clientes, o principal interesse é ampliar vendas, não apenas reduzir custos.
Diamond aponta que o Brasil tem vantagem em um segmento específico: as vendas conversacionais. Com a ampla penetração do WhatsApp, dados citados pela empresa indicam que cerca de 80% dos consumidores brasileiros preferem se comunicar com empresas por aplicativos de mensagem e 73% afirmam preferir realizar compras por esses canais.
Imagem: Getty Images
De acordo com o executivo, essa preferência coloca o país em posição favorável para desenvolver soluções de IA voltadas para vendas digitais. Empresários também veem oportunidades de internacionalização: companhias dos Estados Unidos e da Europa procuraram fornecedores brasileiros para estudar modelos de vendas baseados em aplicativos de mensagens.
Para organizações que dependem de operações comerciais em grande escala, a disputa com a tecnologia não é só por eficiência, mas também pela capacidade de transformar dados e conversas em novos negócios.
Com informações de Forbes