Emirados se unem a Arábia Saudita e Catar para pedir a Trump que não reinicie a guerra com o Irã
Os Emirados Árabes Unidos (EAU) intensificaram nos últimos dias o apelo para que os Estados Unidos não retomem operações militares contra o Irã, juntando-se à Arábia Saudita e ao Catar em contatos diretos com o presidente Donald Trump, disseram várias pessoas a par do assunto.
A abordagem de Abu Dhabi representa uma mudança em sua postura: os Emirados, que sofreram ataques atribuídos ao Irã e adotavam atitude mais dura que vizinhos até recentemente, agora pressionam por uma chance às negociações. Ainda há divergências entre EAU, Arábia Saudita e Catar sobre o formato de um possível acordo e sobre o nível de pressão que os EUA deveriam exercer contra Teerã.
O temor compartilhado é evitar a repetição do ciclo de violência registrado entre o fim de fevereiro — quando Israel e os EUA deram início às ações contra a República Islâmica — e o cessar‑fogo no começo de abril. Naquele período, o Irã e milícias pró‑iranianas no Iraque reagiram com milhares de drones e mísseis disparados pelo Golfo, matando dezenas de pessoas e causando bilhões de dólares em prejuízos a portos e à infraestrutura de energia.
Irã e EUA acertaram uma trégua em 8 de abril e mantêm contatos por meio do Paquistão sobre um possível acordo de paz, ainda que ambos digam estar prontos a retomar hostilidades e apresentem pouco sinal de concessões. Em declaração na sexta‑feira, o secretário de Estado de Trump, Marco Rubio, disse haver “algum progresso” nas negociações, e a mídia iraniana fez observações na mesma linha. O comandante do Exército do Paquistão, Asim Munir, viajou ao Irã no mesmo dia, numa indicação de avanço nas conversas.
Emirados, Arábia Saudita e Catar também reagiram a episódios recentes, como um ataque de drone a uma usina nuclear dos EAU atribuído por Abu Dhabi a milícias iraquianas com apoio iraniano. Um dia depois desse ataque, Trump afirmou ter conversado com o príncipe-herdeiro saudita Mohammed bin Salman, com o presidente dos EAU, xeque Mohamed bin Zayed, e com o emir do Catar, xeque Tamim bin Hamad, e disse que eles o convenceram a não atacar o Irã.
No fim de abril, pressionado por desacordos com outros membros do Golfo, os Emirados anunciaram a surpreendente decisão de deixar a Opep. Desde então, porém, as relações dentro do Conselho de Cooperação do Golfo (CCG) — formado por EAU, Arábia Saudita, Catar, Kuwait, Bahrein e Omã — mostraram sinais de melhora, segundo comunicado do Ministério das Relações Exteriores dos EAU à Bloomberg.
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Analistas e conselheiros citados no relato ressaltaram o risco de nova escalada e a necessidade de um acordo que trate “toda a gama de ameaças” apontadas pelos estados do Golfo, incluindo capacidades nucleares, mísseis balísticos, drones e grupos afiliados, e destacaram que existe “50% de chance de chegarmos a um acordo”, segundo Anwar Gargash, conselheiro sênior do presidente dos EAU.
O cenário permanece volátil, com diplomacia ativa na tentativa de converter a trégua em um acordo duradouro e evitar novo ciclo de hostilidades.
Com informações de Infomoney