Embrapa lança Bioinova com cinco unidades e R$ 14 milhões para impulsionar transição energética
A Embrapa formalizou o projeto Bioinova, que reúne cinco unidades da instituição e conta com aporte de R$ 14 milhões da Financiadora de Estudos e Projetos (Finep) para acelerar pesquisas voltadas à produção de energia renovável e insumos biológicos. O programa foi lançado em 20 de maio e terá duração de 36 meses.
O consórcio é liderado pela Embrapa Agroenergia, sediada em Brasília, e integra as unidades Agroenergia (DF), Agroindústria Tropical (CE), Milho e Sorgo (MG), Recursos Genéticos e Biotecnologia (DF) e Trigo (RS). Segundo a coordenação, os recursos serão destinados à modernização de equipamentos, fortalecimento da infraestrutura e à manutenção de instalações, além de financiar pesquisas de campo e a compra e conservação de equipamentos ao longo dos três anos.
Bruno Laviola, chefe de Pesquisa e Desenvolvimento da Embrapa Agroenergia, afirma que o projeto amplia a capacidade institucional de gerar evidências e qualificar processos em rotas como combustível sustentável de aviação (SAF), biohidrogênio, biometano e etanol, além de tecnologias para matérias-primas e bioinsumos.
O líder do projeto, Guy de Capdeville, descreve o Bioinova como uma ação integrada para enfrentar desafios que as unidades não resolveriam isoladamente. Para viabilizar as atividades, a iniciativa prevê a contratação de pelo menos 30 profissionais entre graduandos, pós-graduandos e pesquisadores já formados. A infraestrutura e os equipamentos serão utilizados de forma compartilhada, aberta a projetos internos, parcerias e cooperação técnico-científica.
O projeto estabelece dez metas técnicas, entre as quais: desenvolvimento de canola tropicalizada para produção de biodiesel, diesel renovável e SAF; produção de três bioinsumos a partir de resíduos agroindustriais; criação de microbiomas semiartificiais para geração de biomassa em áreas marginais com estresse hídrico e salinidade; formulação de composto derivado de lignina para uso agrícola; processos para etanol a partir de matérias-primas amiláceas; geração de biohidrogênio e biometano via biodigestão com foco em pequenas e médias propriedades; obtenção de hidrocarbonetos para SAF a partir de óleos de canola e macaúba; modelagem de impacto econômico e ambiental das tecnologias; desenvolvimento de plataforma multifuncional com biologia integrativa, inteligência artificial e biotecnologias para culturas energéticas; e extração de biocidas de baixa emissão para controle de nematoides em cultivos associados à bioenergia.
Imagem: Imagem Divulgação
O Bioinova trabalhará com cadeia circular, em que resíduos da produção de biocombustíveis realimentam biomassas desenvolvidas internamente para gerar novos combustíveis e bioprodutos com menor intensidade de emissões. As ações contemplam trabalhos em áreas sujeitas à seca e à salinidade, e a atualização da infraestrutura é apontada como fator decisivo para reduzir prazos e qualificar resultados.
Ao final dos 36 meses, a Embrapa prevê entregar ao setor produtivo e a formuladores de políticas um conjunto de processos e tecnologias acompanhados de evidências de desempenho, avaliadas por modelagens de ciclo de vida e de impacto econômico-ambiental, com o objetivo de apoiar decisões de investimento e formulação de políticas públicas.
Com informações de Forbes