Empreendedorismo

El Niño surge como novo risco à economia global

29.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

O retorno esperado do padrão climático El Niño, potencializado pelas mudanças climáticas, é apontado como o próximo teste para uma economia global já afetada pelos impactos da guerra no Irã. Meteorologistas em vários países dizem que a formação do fenômeno neste ano é altamente provável e que as temperaturas anormalmente altas dos oceanos sugerem a possibilidade de um episódio severo, embora ainda seja cedo para confirmação.

El Niño se manifesta quando os ventos alísios no Pacífico tropical enfraquecem e a superfície do mar se aquece. O fenômeno costuma durar até cerca de um ano, com pico próximo ao fim do ano, e está associado a secas e ondas de calor em grande parte da Ásia e a condições mais úmidas em outras áreas, entre elas a costa do Golfo dos Estados Unidos.

O último episódio, entre 2022 e 2023, teve impactos econômicos e sociais significativos: a Índia chegou a proibir exportações de arroz, houve uma epidemia de dengue, níveis de água reduzidos no Canal do Panamá, enchentes severas no Brasil e aumento nos preços do chocolate.

A formação de um novo El Niño preocupa agricultores na Ásia, que já arcam com custos elevados de diesel e fertilizantes. No setor energético, a incerteza cresce diante da dúvida sobre quando o Estreito de Ormuz será reaberto. Jason Ying, estrategista de commodities do BNP Paribas, alerta para a possibilidade de aumento da demanda por gás natural liquefeito (GNL) na Ásia para suprir o consumo de aparelhos de ar-condicionado conforme as temperaturas sobem. Segundo ele, “as cargas de GNL podem ser desviadas para a Ásia em vez de abastecer os estoques de gás da Europa, o que significa que começamos o inverno em uma posição mais fraca”.

A Índia já enfrenta uma forte onda de calor, e as previsões indicam chuvas abaixo da média na próxima temporada de monções. Anos com El Niño tendem a ser mais quentes, o que eleva o consumo de energia para refrigeração. Além disso, secas reduzem a geração hidrelétrica, o que estimula maior uso de gás natural e carvão — um efeito observado na China durante o último El Niño.

No mercado de commodities agrícolas, o episódio anterior elevou os preços do cacau após ventos secos em Gana e na Costa do Marfim danificarem plantações, pressionando o preço do chocolate. Contratos futuros de cacau subiram e só recentemente voltaram aos patamares de antes do evento. Analistas dizem que outros produtos, como açúcar e borracha natural, também podem registrar alta, embora algumas áreas produtoras possam ter ganhos pontuais.

Imagem: Imagem Divulgação

Origens e amplificação do risco

A ligação entre padrões climáticos em diferentes partes do planeta foi identificada há cerca de um século pelo cientista Gilbert Walker, conhecido como “Boomerang” por sua afeição pelo objeto. O nome El Niño — originalmente El Niño de Navidad — surgiu entre pescadores peruanos que notaram anomalias de calor no período do Natal que prejudicavam as pescarias.

Separar os efeitos diretos do El Niño de outros eventos extremos pode ser complexo, e os impactos recentes são exacerbados pelo aquecimento global. Andrew Watkins, cientista climático da Universidade Monash, observa que o fenômeno pode estar contribuindo para a onda de calor na Índia, embora não explique a situação na Europa. “É um multiplicador de risco para as chances já elevadas de eventos extremos causados pela queima de combustíveis fósseis”, disse Watkins.





As autoridades meteorológicas e setores econômicos permanecem em alerta enquanto acompanham a evolução das temperaturas oceânicas e as previsões sazonais.

Com informações de Investnews

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