Empreendedorismo

Dinamarca vai investigar se tratamentos para obesidade ampliam participação no mercado de trabalho

04.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

O novo governo da Dinamarca anunciou a abertura de uma investigação para avaliar se medicamentos para perda de peso, como Wegovy e Ozempic, podem facilitar a entrada ou o retorno de pessoas ao mercado de trabalho. A iniciativa amplia o debate sobre os impactos econômicos desses tratamentos além dos benefícios para a saúde.

A farmacêutica dinamarquesa Novo Nordisk, fabricante do Wegovy e do Ozempic, tem sido apontada como um motor de crescimento econômico no país, mesmo diante da concorrência crescente, por exemplo, da americana Eli Lilly. Agora, a administração quer entender se os remédios também elevam a produtividade e influenciam a oferta de trabalho.

No programa de governo divulgado recentemente, a coalizão propôs a realização de um projeto-piloto direcionado a pessoas com obesidade grave. O objetivo é mensurar efeitos econômicos dos medicamentos além dos resultados clínicos, incluindo impacto na participação laboral. O formato e os detalhes operacionais do projeto ainda não foram informados.

Estudo do ‘efeito Ozempic’ no Reino Unido

O interesse por esse tipo de avaliação não é exclusivo da Dinamarca. No final de 2024, o governo do Reino Unido firmou parceria com a Eli Lilly para um ensaio de cinco anos com a meta de verificar se medicamentos para perda de peso podem ajudar mais pessoas a retornarem ao trabalho e reduzir a pressão sobre o sistema público de saúde.

Uma pesquisa apresentada no ano passado, citada pelo jornal The Guardian, estimou que o princípio ativo usado em Wegovy e Ozempic poderia gerar mais de 4,5 bilhões de libras (cerca de 6 bilhões de dólares) em ganhos anuais de produtividade no Reino Unido. A análise, baseada em 2.660 participantes distribuídos em três ensaios clínicos, concluiu que o medicamento acrescenta o equivalente a cinco dias de trabalho e 12 dias de trabalho não remunerado por paciente a cada ano.

A primeira-ministra da Dinamarca, Mette Frederiksen, que venceu um terceiro mandato nesta semana, declarou ser uma “grande fã” do Ozempic e do Wegovy e vem demonstrando apoio à Novo Nordisk. Frederiksen fechou um acordo de coalizão na segunda-feira (1), quase dez semanas após a eleição geral, reunindo Social-Democratas, Esquerda Verde, Liberais Sociais e Moderados em um governo minoritário apoiado por partidos de esquerda.

Imagem: Carsten Snejbjerg/Bloomberg

A Dinamarca foi um dos primeiros mercados a receber o Wegovy, no fim de 2022. Dados do governo apontam que quase 5% da população já utilizou o medicamento desde o lançamento e que cerca de 8% dos dinamarqueses atendem aos critérios para o tratamento, conforme análise divulgada no ano passado. O aumento da demanda pressionou as contas públicas: o país reduziu subsídios ao Ozempic em 2024 e negou pedidos de reembolso público para o Wegovy.

O segmento segue em expansão globalmente, especialmente em mercados onde patentes expiraram e passaram a permitir a comercialização de genéricos, caso recente registrado no Brasil.

Com informações de Investnews

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