Empreendedorismo

Crédito caro consome quase um terço da renda das famílias, mostram dados de 2026

11.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Dados oficiais indicam que o endividamento das famílias brasileiras atingiu novo patamar e que os juros pesam de forma significativa sobre a renda disponível. Em fevereiro de 2026, o volume de dívida das famílias com o Sistema Financeiro Nacional alcançou 49,9% da Renda Nacional Disponível Bruta (RNDB), superando o recorde anterior de julho de 2022.

Comprometimento da renda

O percentual de renda comprometido para o pagamento de dívidas foi de 29,7% em fevereiro. Excluindo o crédito habitacional, que costuma ter custo e prazos mais favoráveis, o comprometimento ficou em 27,1%, também em patamar recorde. Em outras palavras, quase R$ 30 de cada R$ 100 ganhos por uma família são destinados ao serviço da dívida antes de decisões de consumo ou poupança.

Composição e custo do endividamento

Do total do comprometimento de 29,7 pontos percentuais, cerca de 10,6 pontos correspondem apenas ao pagamento de juros — recursos que não amortizam o principal nem geram patrimônio. O relatório do Comitê de Estabilidade Financeira do Banco Central ressalta que as modalidades de maior risco, como o rotativo do cartão, o cheque especial e o crédito pessoal não consignado, continuam crescendo em ritmo superior às carteiras de menor risco.

Quem mais sofre

Os números mostram concentração do custo entre os mais vulneráveis. Segundo o Banco Central, 39,3% das operações de crédito rotativo no cartão são contratadas por trabalhadores com renda inferior a dois salários mínimos, tornando o produto mais caro do sistema financeiro igualmente o mais adotado por quem tem menor capacidade de pagamento.

Indicadores de desconforto e inadimplência

A Fundação Getulio Vargas (FGV) calcula o Índice de Desconforto de Crédito (IDC), que combina comprometimento de renda, inadimplência e o perfil das modalidades contratadas. Em janeiro de 2026, o IDC atingiu 0,94, ou 94% do pior momento da série histórica. A Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC) de março de 2026 apontou que 80,4% das famílias tinham algum tipo de dívida, recorde da série.

Em março de 2026, a Confederação Nacional do Comércio (CNC) reportou inadimplência estabilizada em 29,6% das famílias, com tempo médio de atraso de 65,1 dias. Fora do sistema bancário, a Serasa registrou mais de 83 milhões de CPFs negativados, com dívida média de R$ 6.814 por pessoa.

Imagem: Priscila Zambotto/Gettyimages

Renegociação e reincidência

Programas de renegociação têm alcançado volumes significativos: o Desenrola Brasil 2.0 já supera 1,4 milhão de operações e R$ 10 bilhões negociados. Ainda assim, o texto destaca que 86% dos consumidores que entram em inadimplência já haviam sido negativados nos 12 meses anteriores, evidenciando reincidência que tende a reaparecer se as condições estruturais do crédito não mudarem.

Projeções e recomendações apontadas

A CNC projeta que o endividamento das famílias deve continuar crescendo ao longo do primeiro semestre de 2026, até que os efeitos da flexibilização da política monetária cheguem ao consumidor. No contexto apresentado, o texto indica que identificar dívidas, priorizar a redução do crédito mais caro — como rotativo, cheque especial e crédito pessoal sem garantia — e considerar a digitalização e assinaturas recorrentes entre os gastos invisíveis são medidas práticas apontadas como urgentes.

Os dados de 2026, segundo o levantamento, mostram um mercado de crédito que distribui de forma desigual o acesso e o custo, com impacto maior sobre famílias de menor renda.

Com informações de Forbes

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