Diversidade

Crash Party cria ambiente seguro para público LGBTQIA+ no Capão Redondo

16.02.2022 | Por: Gabriela Ferreira

Morar na periferia significa estar longe dos centros urbanos, por uma questão geográfica ou por uma questão de acessibilidade. Essa exclusão prejudica as pessoas da quebrada em muitas coisas, como arrumar emprego, e tirar um lazer, já que muitas vezes não existem tantas opções culturais nas quebradas. Nesse contexto nasceu a Crash Party, com o intuito de ser uma festa segura para o público LGBTQIA+ no Capão Redondo, zona sul de São Paulo. Pega a visão:

Em pé desde 2016, a Crash Party é uma festa pensada para ser segura para o pessoal LGBTQIA+ de quebrada. “A ideia surgiu quando a gente sentiu a necessidade de criar um espaço colaborativo para corpos marginalizados LGBTs. Depois percebemos que o movimento podia ser diferente e mais inclusivo para todo mundo da periferia. Acolhemos pessoas de quebrada que não são LGBTQIA+. Viemos com o intuito de ser um espaço seguro para que as meninas pudessem dançar sem ter alguém mexendo com elas, para que as pessoas pudessem vestir as roupas que elas quisessem”, comenta Louis Guxtrava, produtor executivo e DJ. 

Foto: (@bahyra_)

Antes da Crash, Louis era acostumado a frequentar mais bailes de rua. “Muitas vezes a gente não é bem vindo nesses espaços de protagonismo de pessoas hétero e cis. A gente quis criar um evento seguro aqui na periferia para que a gente pudesse fazer acontecer aqui o que a gente ia buscar no centro. Fizemos esse espaço inclusivo para que as pessoas não precisem gastar tanto com transporte e com rolê”, diz Guxtrava. “Criamos esse espaço para nossos corpos serem bem-vindos e para as outras pessoas da quebrada entenderem quem somos nós e nos respeitarem. O propósito é o respeito entre os grupos do funk, do dance hall, do pop e do rap. É aqui que a gente reúne pessoas LGBTQIA+ ou não e periféricas”. 

Ametista, moradora do Capão, frequenta a festa desde 2018 e explica sobre a importância do rolê: “Essas festas tipo a Crash, nós podemos nos aceitar, nos amar e nos sentir “normais”, já que no dia a dia, a sociedade relembra e maltrata as nossas diferenças. Um espaço como esse faz a gente se sentir forte e bonito. A representatividade é chegar no baile e ver a diversidade de corpos. É lindo demais”. 

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