Empreendedorismo

Copa do Mundo pode aquecer fan tokens, mas especialistas alertam para riscos

12.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A abertura da Copa do Mundo, na quinta-feira (11), com a vitória do México sobre a África do Sul por 2 a 0, reacendeu a discussão sobre o potencial de valorização dos fan tokens — criptomoedas ligadas a clubes e organizações esportivas. Enquanto o torneio movimenta torcedores, investidores e especuladores questionam se o evento pode trazer ganhos para esses ativos.

Ao contrário de criptomoedas como bitcoin (BTC) e ethereum (ETH), os fan tokens funcionam mais como programas de sócio-torcedor digitais: quem compra recebe benefícios como participação em votações do clube, acesso a promoções exclusivas e experiências para torcedores.

A Copa pode impulsionar os fan tokens?

Especialistas consultados pela reportagem afirmam que grandes competições tendem a aumentar a atenção sobre esses tokens e podem provocar altas de curto prazo. Ainda assim, eles não são vistos como uma tese de investimento sólida.

Francis Wagner, head de criptoativos da Hurst Capital, afirma que o período de Copa costuma atrair interesse, mas que, neste momento, os fan tokens não aparecem como uma opção de investimento estruturalmente atraente. Matheus Gutierrez, analista de criptomoedas da Levante, compara o comportamento desses ativos ao das memecoins, com movimentos impulsionados por eventos esportivos.

O histórico mostra que os fan tokens alcançaram seu pico entre 2021 e 2022, com capitalização de mercado em torno de US$ 500 milhões, segundo a plataforma Rocket Fan. Desde então, o segmento encolheu: hoje vale cerca de US$ 136 milhões. Para comparação, o bitcoin tem valor de mercado próximo a US$ 1,2 trilhão, o ethereum cerca de US$ 200 bilhões e as stablecoins, somadas, quase US$ 320 bilhões.

Os riscos

Entre os principais riscos apontados estão alta volatilidade, liquidez reduzida e forte dependência de narrativas esportivas. Os tokens podem registrar quedas bruscas após eliminações ou quando o interesse dos torcedores diminui. Outros fatores que afetam o mercado são a concentração em poucas plataformas, a ausência de fundamentos financeiros tradicionais e o fato de que, por serem mercados pequenos, ordens de compra ou venda expressivas podem provocar oscilações acentuadas nos preços.

Mais ferramenta de marketing do que investimento

Na avaliação dos especialistas, os fan tokens têm mais probabilidade de se manter como instrumentos de marketing, fidelização e engajamento entre clubes e suas torcidas do que como alternativas de investimento de longo prazo.

Veja as cotações às 8h

Bitcoin (BTC): +1,22%, US$ 63.608,19

Ethereum (ETH): +1,09%, US$ 1.674,63

Imagem: Imagem Divulgação

BNB (BNB): +0,89%, US$ 604,56

XRP (XRP): +2,12%, US$ 1,14

Solana (SOL): +2,01%, US$ 66,77

Outros destaques do mercado cripto

A OranjeBTC, considerada a maior tesouraria de bitcoin do Brasil, anunciou que comprará 1 BTC para cada gol marcado pela seleção brasileira no torneio. A empresa vinha sentindo pressão no valor de sua tesouraria com a recente queda do mercado, mas segue ampliando sua posição: na semana passada adquiriu mais 41 BTC e agora acumula 3.803 bitcoins.

No Polymarket, plataforma de apostas em eventos futuros com criptomoedas, o principal mercado relacionado à Copa já movimentou mais de US$ 2 bilhões. Em cotação de sexta-feira (12), a probabilidade implícita indicava a Espanha na liderança com 17%, seguida pela França com 16% e o Brasil com 9%.

Em Brasília, foi apresentado na Câmara dos Deputados um projeto de lei que busca regulamentar a autorização das prestadoras de serviços de ativos virtuais, alinhando-se às regras publicadas pelo Banco Central no ano anterior. A proposta reforça exigências sobre capital mínimo, governança e gestão de riscos para empresas do setor.

Com informações de Investnews

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