Empreendedorismo

Copa do Mundo nos EUA, Canadá e México eleva preços e gera reclamações sobre venda dinâmica de ingressos

30.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Transmissão: Band | Record

A Copa do Mundo, que começa em junho na América do Norte, transformou-se em um mercado de ingressos sem precedentes e com custos elevados para os torcedores. O torneio reúne 48 seleções em 16 cidades e prevê 104 partidas, gerando mais de 6 milhões de bilhetes à venda — cenário que levou a reclamações generalizadas sobre preços e o uso de precificação dinâmica pela FIFA.

Quase todos os ingressos para a maior parte das partidas partem de valores na casa das centenas de dólares e chegam a milhares. A prática adotada pela entidade, que ajusta preços conforme a demanda, tornou a compra imprevisível e estressante para os consumidores, segundo relatos de torcedores.

O volume de queixas foi suficiente para que, na quarta-feira (27), os procuradores-gerais de Nova York e de Nova Jersey enviassem intimações à FIFA, exigindo esclarecimentos sobre as práticas de venda. “Ninguém deveria ser manipulado a pagar valores estratosféricos por um assento, e os torcedores precisam ter a garantia de que vão receber exatamente os ingressos que compraram”, afirmou a procuradora-geral de Nova York, Letitia James.

A FIFA não comentou as intimações.

Desde que a organização da Copa foi atribuída a Estados Unidos, Canadá e México em 2018 — com cerca de três quartos das partidas marcadas para os EUA —, a entidade passou a explorar o potencial de receita do mercado norte-americano. A meta anunciada pela FIFA é faturar US$ 11 bilhões (R$ 55 bi), um recorde, e a entidade diz já ter vendido 90% dos cerca de 6 milhões de ingressos disponíveis.

Para muitos torcedores, porém, os valores estão fora de alcance. O escocês Davie Hood relatou ter gasto US$ 1,8 mil (R$ 9 mil) por três ingressos para os jogos da fase de grupos da Escócia — o equivalente, segundo a reportagem original, a R$ 3 mil por assento. Hóspedes chegaram a reservar hospedagem distante e alugar ônibus escolares para driblar custos elevados de transporte local.

O presidente da FIFA, Gianni Infantino, defendeu a estratégia afirmando que a entidade está apenas cobrando o que o mercado suporta e preferindo arrecadar o montante em vez de deixá-lo com cambistas. Parte dessa receita deverá ser redistribuída: a previsão é destinar US$ 2,7 bilhões (R$ 13,5 bi) a federações nos próximos quatro anos.

Como resposta às críticas, a FIFA anunciou no fim do ano passado uma cota de ingressos a US$ 60 por jogo, destinada às federações para distribuição a torcedores fiéis. O lote, porém, é pequeno: mil bilhetes por partida, totalizando 104 mil entre os cerca de 6 milhões disponíveis.

Imagem: Imagem Divulgação

No comércio local, sinais de alerta surgiram. Dezenas de partidas ainda têm lugares à venda e partidas menos demandadas registraram queda de preços. Pesquisa da American Hotel and Lodging Association indica que cerca de 80% dos hoteleiros nas cidades-sede reportaram reservas abaixo das projeções. A dispersão geográfica do torneio, com sedes de Vancouver a Boston e Cidade do México, e barreiras de visto e tensões geopolíticas, também afetam a demanda internacional, segundo a associação.

Em nível municipal, muitos custos foram repassados aos organizadores locais, elevando preços de serviços. Um caso emblemático foi o aumento da tarifa de trem de Nova York ao MetLife Stadium, que subiu de US$ 12,90 para US$ 150 em dias de jogo antes de ser reduzida para US$ 98 após intervenção das autoridades.

Para alguns torcedores americanos, a alta nos preços faz parte da realidade do evento. Ray Loyola, da região de Seattle, gastou US$ 3 mil (R$ 15 mil) em quatro ingressos para o jogo entre EUA e Austrália em 19 de junho, mas reconheceu que o custo é difícil de aceitar.

Em comparação histórica, a postura da FIFA mudou: em 1994, a entidade interveio para evitar aumentos excessivos de ingressos, segundo recordações de Alan Rothenberg, então presidente da Federação Americana de Futebol.

As dúvidas sobre preços e distribuição de ingressos permanecem às vésperas do início da Copa, com autoridades e torcedores atentos às práticas de venda adotadas pela FIFA.

Com informações de Investnews

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