Cetesb passa a usar satélites e inteligência artificial para vigiar qualidade da água no Tietê e Pinheiros
A Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) iniciou o uso combinado de imagens de satélite e algoritmos de inteligência artificial para monitorar a qualidade da água dos rios Tietê e Pinheiros. O sistema, lançado nesta semana, integra o programa IntegraTietê, criado em 2023, e tem o objetivo de ampliar a fiscalização e dar mais transparência às ações de despoluição.
A ferramenta cobre cerca de 1.000 quilômetros de trechos fluviais e reservatórios associados. Os dados são apresentados ao público por meio de um mapa interativo que mostra indicadores de qualidade da água por cores, permitindo acompanhamento em tempo quase real de parte das condições dos rios.
Quem, como e para que
Segundo a gestão ambiental estadual, o sistema combina diferentes satélites com técnicas de processamento de imagem para detectar padrões de poluição, com atenção especial à matéria orgânica dissolvida colorida e a processos de eutrofização, fenômeno causado pelo excesso de nutrientes que favorece a proliferação de algas e compromete usos recreativos e econômicos da água.
A secretária de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística, Natália Resende, afirmou em entrevista que a iniciativa busca aproximar a população das ações de recuperação e ampliar a transparência do processo de despoluição, estimulando o acompanhamento público das medidas adotadas.
Tecnologia e parcerias
Para a leitura dos sinais ópticos na água, a Cetesb utiliza satélites como Sentinel-2 e Sentinel-3 para áreas de reservatórios, recorre a imagens de alta resolução fornecidas por empresas privadas para trechos mais detalhados e emprega registros da empresa Firefly em situações específicas. A interpretação automática das imagens é feita por modelos de inteligência artificial que devem gerar alertas quando forem identificadas variações atípicas na qualidade, o que pode indicar despejos irregulares.
O projeto conta com cooperação do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) em estudos sobre eutrofização. O contrato com o Inpe tem duração de 12 meses e investimento de 180 mil reais, enquanto o acordo com a empresa de tecnologia responsável pela detecção de matéria orgânica ultrapassa 1 milhão de reais.
Imagem: Shutterstock
O diretor-presidente da Cetesb, Thomaz Miazaki de Toledo, destacou que o monitoramento por satélite reduz o intervalo entre observações em relação ao modelo tradicional, que possui periodicidade de até mensal para cada ponto da rede física.
A iniciativa foi desenhada para complementar a malha de vigilância já existente, formada por cerca de 550 pontos de monitoramento físico distribuídos em rios e reservatórios do estado, e não para substituí-la. Além disso, a expansão do saneamento básico em municípios da região metropolitana, como Guarulhos, Franco da Rocha e Francisco Morato, integra o esforço para recuperação dos rios, com metas de universalização do tratamento de esgoto até 2029.
A Cetesb informou que o modelo ainda será ajustado ao longo do período inicial dos contratos e que a intenção é manter a tecnologia em operação, buscando no futuro formas mais sustentáveis de manutenção do sistema.
Com informações de Olhardigital