Empreendedorismo

Brasil tem recorde de passageiros em 2024, mas conectividade ainda fica abaixo do nível de 2019

06.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

TRANSMISSÃO: Record

O Brasil registrou mais de 100 milhões de passageiros domésticos em 2024, marca inédita, mas não recuperou a conectividade pré-pandemia, segundo dados da Iata apresentados neste sábado (6) no Rio de Janeiro, durante a 82ª Assembleia Geral Anual da associação.

Entre 2019 e 2025, o país perdeu 85 rotas, recuo de 9,9%, e as frequências caíram 4,5%. Ao mesmo tempo, a oferta de assentos subiu 4%, sinalizando o uso de aeronaves maiores para atender menos voos e menos destinos.

A Iata chamou atenção para o impacto dos custos operacionais, principalmente do combustível, que representa entre 30% e 40% das despesas das companhias aéreas. A volatilidade do preço do combustível pressiona a rentabilidade e pode levar a cortes adicionais em rotas menos lucrativas.

Em contraste, a Colômbia ampliou sua conectividade no mesmo intervalo: ganhou 49 rotas (alta de 21%), aumentou as frequências em 18,4% e elevou a capacidade de assentos em 42,5%. A República Dominicana também avançou, com crescimento de 6,3% em rotas e 41,9% em assentos.

“As condições de mercado e as políticas públicas fazem diferença”, afirmou Peter Cerdá, vice-presidente regional das Américas da Iata, durante o evento.

A associação atribui a divergência de desempenho, em grande parte, à carga tributária e às decisões regulatórias de cada país. Na América Latina e no Caribe, impostos e tarifas correspondem a 29% do preço médio das passagens. Na América do Norte, esse percentual é de 15%; no Oriente Médio, 15%; e na Ásia-Pacífico, 17%.

No Brasil, há preocupação adicional com a proposta de criação de um IVA que elevaria a alíquota sobre passagens para 26,5%. A Iata projeta que, se a medida for aprovada, a demanda doméstica cairia 30% e a tarifa média doméstica subiria de US$ 130 para US$ 160. Para voos internacionais, a passagem média passaria de US$ 740 para US$ 935. “Em um país que mal chega a uma viagem por pessoa por ano, o alto custo sempre vai se traduzir em menos passageiros e menos conectividade”, declarou Cerdá.

Imagem: Divilgação

Concorrência com o transporte rodoviário e perspectivas

A média de viagens aéreas por habitante na América Latina cresceu de 0,51 em 2015 para 0,88 em 2025, avanço que ainda está muito abaixo da média da América do Norte (2,59) e consideravelmente distante de Espanha (5,12) e Portugal (5,55). Segundo Cerdá, o principal concorrente das companhias na região é o ônibus, principalmente em trajetos de 8 a 16 horas, onde a diferença de preço entre as modalidades é pouco expressiva quando se consideram apenas as tarifas básicas.

A Iata observa também aumento da capacidade intra-regional: desde 2016 foram adicionados 34 milhões de assentos. No primeiro semestre de 2026, a oferta regional deverá atingir 211,6 milhões de assentos, ante 177,5 milhões no mesmo período de 2016, crescimento de 19%, com parte desse incremento vindo de rotas entre cidades secundárias sem passagem por grandes hubs.





Para o longo prazo, a associação projeta crescimento anual de 3,7% no número de passageiros na América Latina e no Caribe entre 2026 e 2040, taxa alinhada à média global e acima dos Estados Unidos, cuja previsão é de 2,8% ao ano.

A Iata vê no Mundial de 2026, sediado por Estados Unidos, México e Canadá, uma janela de impulso — e um teste — para a região, com aumento de rotas de companhias da Europa, do Canadá e da China. Ainda assim, a entidade alerta que a falta de avanços em infraestrutura e política tributária pode impedir que esse período deixe um legado duradouro. “A aviação na América Latina não é luxo. É serviço essencial”, concluiu Cerdá.

Com informações de Investnews

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