Empreendedorismo

Bordadeiras indianas sustentam grifes de luxo e preservam tradição milenar

07.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Ateliê de Mumbai mantém oficio e abastece Dior, Prada e Gucci

Karishma Swali, diretora-geral e criativa da Chanakya International, lidera um ateliê em Mumbai que há décadas fornece bordados e têxteis para grandes casas de luxo. Fundada por seu pai, Vinod Shah, em 1984, a Chanakya já colaborou com mais de 30 marcas, incluindo Christian Dior, Prada, Gucci e Schiaparelli.

Swali, 49 anos, trabalha na empresa há mais de 30 anos e ocupa a direção criativa há mais de duas décadas. Ela supervisiona uma equipe de cerca de 2.400 artesãos e criou a Chanakya School of Craft, instituição que forma novas gerações de bordadores com o objetivo de preservar uma tradição têxtil de mais de 5.000 anos.

Além do trabalho comercial, a Chanakya levou peças a mostras internacionais, como a Bienal de Veneza, e exibiu trabalhos na Biblioteca do Vaticano, em Roma. Recentemente, Karishma lançou com a filha Avantika o atelier de prêt-à-porter Chorus.

Em relatos sobre a formação e a cultura do ateliê, Swali recorda a infância no ambiente do pai, onde a música clássica indiana acompanhava o trabalho silencioso dos artesãos. “Lembro de sentir uma reverência enorme por eles”, afirmou sobre a experiência de crescer entre os bordadores.

Swali descreve valores transmitidos pela família e pela empresa, citando o conceito das escrituras samu purushartha, que associa o trabalho coletivo a resultados superiores, e a máxima do pai de que “a menos que todos ganhem, não é uma vitória”.

Ao explicar a importância dos têxteis indianos na moda global, a diretora destaca a longa história do país como fornecedor de tecidos valiosos — como a musselina e sedas exportadas em épocas passadas — e a continuidade dos bordados desde o século XVI. Segundo ela, a manutenção dessas habilidades possibilita a criação de peças que exigem centenas ou milhares de horas de trabalho.

Entre os projetos citados, Swali destaca o desfile da Dior de outono de 2023 na Índia, para o qual a Chanakya produziu um toran tradicional composto por 1.008 peças feitas por diferentes mestres e artesãs, resultado de um trabalho coletivo e de alto grau artesanal.

Imagem: Imagem Divulgação

A fundação da escola de artesanato enfrentou resistência inicial: após elaborar um currículo considerado robusto e relevante, a iniciativa precisou convencer comunidades carentes a participar. No começo, 22 mulheres aceitaram tentar; dez anos depois, a Chanakya School of Craft reúne uma comunidade de 1.400 mulheres e opera com lista de espera.





Sobre a preservação do trabalho manual, Swali afirmou que o ato de criar com as mãos é um gesto humano essencial e que a inteligência artificial não substitui esse fazer.

Com informações de Investnews

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