Comportamento

Aos 20 anos, Fanieh quer mostrar pra quebrada que todos têm possibilidade de ir além do imposto pela sociedade

03.02.2021 | Por: Karolyn Andrade

Com apenas 20 anos, Fanieh, cria de Guaianases, extremo leste de São Paulo, vem se destacando na cena por suas letras e posicionamentos sempre fixados nas suas raízes. A artista recentemente soltou sua voz na primeira faixa do projeto idealizado majoritariamente produzido por mulheres, o  “Hervolution“, e ainda tem muita coisa boa pra soltar em 2021. Chegou a hora de conhecer mais a potência desta mulher, que além de ser rapper, ainda é co-fundadora do Instituto Izaias Luzia. Saca só! 

Crescendo com uma família de artistas, o talento pode estar no sangue: “Meu avô era cantor, minha mãe é professora de hip hop e meu pai é percussionista. Então, sempre estive neste meio artístico”, explica ela sobre o começo da caminhada na música. Bastou uma apresentação na escola ao som de “Atirei o Pau no Gato” para a mãe dela perceber que a filha tinha talento.

O começo do corre na música foi em festas de família e festivais e a decisão de  seguir carreira veio aos 15 anos, quando Fanieh começou a se aventurar nas batalhas de rap. Nesta etapa, a artista não chegou a batalhar rimando, mas participava dos shows que o tio fazia nos eventos de batalha. “A galera achava estranho porque sempre tive a voz bem encorpada, eu era pequena e magrinha, eles ficavam – essa menina pequenininha desse jeito canta desse jeito”, conta a artista. 

Outra reflexão feita pela cantora, se trata de estereótipos sobre mulheres na cena do hip hop: “A galera começou a me chamar, mas eram convites para refrões, a mulher no hip hop/rap é convidada para refrões e backing vocal. Até entender que eu poderia ser protagonista, escrever uma música e não só estar fazendo backing vocal para um cara, foi complicado”, explica. 

Depois de ser passada a perna, Fanieh decidiu seguir carreira independente e fazer o sonho virar. Começando a fazer shows inteiros sozinhos e o apoio da família, a artista seguiu. A mãe fazia backing vocal, o tio virou DJ e os primos eram dançarinos. Uma verdadeira festa em família!

Além de ser uma artista completa, Fanieh ainda reserva tempo para cuidar da ONG que é co fundadora, o Instituto Izaias Luzia, em Guaianases, onde trabalham com cultura, esporte e educação: “Foi minha transformação, a bagagem para me tornar uma artista e, é isso que sempre prego para as pessoas da minha comunidade que a gente pode sim transformar vidas por meio da cultura, da educação e do esporte”. 

Com muitos projetos para saírem este ano, a cantora pode ser nova, mas suas vivências mostram exatamente sua maior prioridade na cena: “Meu maior objetivo como artista é empoderar as mulheres de periferia, mostrar que o hip hop tem força, tem voz e que a nossa caminhada pode começar dali e chegar onde quisermos”, concluiu.

Estruturada por toda bagagem e família, a cantora promete sempre meter as caras e ir para cima e quer levar outras mulheres para o topo consigo. 

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