Empreendedorismo

IPOs normalmente dão lucro no primeiro dia; ganhos de longo prazo são raros para a maioria

10.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

TRANSMISSÃO: Space

Ofertas públicas iniciais de ações (IPOs) costumam gerar alta acentuada no primeiro dia de negociação, mas o desempenho nos anos seguintes frequentemente decepciona a maioria dos investidores. Esse padrão voltou a ganhar atenção em meio ao alvoroço pela abertura de capital da SpaceX, cuja estreia é projetada como a maior da história e que movimenta expectativas de um grande ganho inicial, o chamado “pop”.

Dados compilados por Jay Ritter, professor de Finanças da Universidade da Flórida, indicam que o aumento médio entre o preço da oferta e o fechamento do primeiro dia de negociação nos Estados Unidos é de cerca de 19%. Esse salto beneficia sobretudo quem tem acesso às ações pelo preço da oferta, situação que é incomum para a maioria dos investidores.

Em uma amostra de quase 9.300 IPOs realizados nos EUA entre 1980 e 2024, Ritter mostra que quem compra um IPO ao final do primeiro dia e mantém a posição por três anos teve um retorno em média cerca de 21% inferior ao do índice de mercado ponderado pelo valor das empresas.

Embora muitos IPOs sejam de empresas pequenas e especulativas, companhias maiores também tendem a ficar atrás do mercado. Entre empresas com receita anual ajustada pela inflação de pelo menos US$ 500 milhões, o desempenho médio no prazo de três anos ficou cerca de 4% abaixo do mercado, e o “pop” do primeiro dia foi menor, em torno de 10%.

Uma das explicações centrais para essa diferença é o acesso: a maior parte dos investidores não compra no preço da oferta e só consegue adquirir ações quando começam as negociações na bolsa, momento em que parte da valorização inicial já ocorreu. O processo de formação do livro de ofertas (bookbuilding), conduzido pelos bancos coordenadores, busca equilibrar diferentes perfis de investidores e muitas vezes envolve escolhas discricionárias sobre quem recebe alocação.

Investidores de varejo podem receber uma parcela das ações — expectativa também apontada para a SpaceX —, mas o volume é geralmente pequeno diante da demanda. A inclusão de empresas em índices de mercado após o IPO não garante captura do ganho inicial, a não ser que fundos passivos atuem antes da inclusão oficial.

Imagem: Imagem Divulgação

Quase US$ 2 trilhões

A SpaceX busca avaliação de mercado de US$ 1,77 trilhão, mas pretende vender menos de 5% de suas ações no IPO, segundo o prospecto. Muitos índices utilizam o critério do free float, ponderando apenas ações disponíveis para negociação, o que reduz o peso inicial da companhia nesses índices e limita o impacto de fundos indexados.





Ritter também registra que IPOs de empresas com vendas anuais superiores a US$ 100 milhões (ajustadas pela inflação) que colocaram no mercado 10% ou menos de suas ações tiveram desempenho médio cerca de 5% inferior ao mercado após três anos, embora essas ofertas tenham registrado valorização média do primeiro dia em torno de 32%.

Aplicar essas estatísticas históricas à SpaceX é complexo: trata-se da maior abertura de capital prevista em avaliação e com característica singular de controle concentrado nas mãos de Elon Musk. Em outras palavras, assistir ao lançamento do foguete costuma ser empolgante; estar dentro dele é uma outra realidade.

Com informações de Investnews

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