Empreendedorismo

Azul reduz malha em 5% por alta do querosene e mira passageiros premium

07.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A Azul Linhas Aéreas anunciou corte de 5% em sua malha de voos após aumento do preço do querosene de aviação em 70% no último ano, e não descarta novas reduções caso os custos continuem pressionando a operação. A companhia informou a decisão em meio à Assembleia Geral Anual da Iata, realizada no Rio de Janeiro, onde o CEO John Rodgerson afirmou que, se a guerra persistir e a tarifa média não subir, será necessário reduzir voos.

Segundo a Iata, o avanço no custo do combustível deve somar cerca de US$ 100 bilhões ao gasto coletivo da indústria em 2026, reduzindo o lucro líquido do setor de US$ 45 bilhões para US$ 23 bilhões, segundo o diretor-geral Willie Walsh.

A Azul destacou que a situação financeira melhorou em relação ao ano anterior. A companhia saiu do Chapter 11 nos Estados Unidos com R$ 14 bilhões a menos em dívidas e reduziu a relação entre dívida e lucro operacional de 5,5 vezes para 2,4 vezes. Ainda assim, a empresa vem revisando frequências e destinos para ajustar oferta à demanda e aos custos, decisão que já levou à queda de capacidade.

Rodgerson apontou que o quadro brasileiro aumenta a pressão sobre as contas das aéreas: além do querosene entre os mais caros do mundo, ele citou carga tributária elevada e elevado número de litígios judiciais. Dados da Iata indicam que o Brasil concentra 95% dos processos de direitos de passageiros globalmente, com uma ação a cada 227 passageiros — na comparação, nos Estados Unidos a proporção é de uma ação para cada 1,2 milhão de passageiros.

Por isso, o CEO afirmou que o modelo de baixo custo enfrenta dificuldades no país: bilhetes baratos podem resultar em processos que inviabilizam a estratégia. Paralelamente, o ministro de Portos e Aeroportos, Tomé Costa, informou que o governo tem mantido conversas para a operação no Brasil das chilenas JetSmart e Sky, que atuam no modelo low cost.

A Azul tem voltado o foco ao passageiro corporativo e ao segmento premium. Rodgerson citou o exemplo de um cliente que voa em média 100 vezes por ano e representa receita equivalente a 200 passageiros comuns, ressaltando o impacto de perder esse perfil de viajante para concorrentes.

Em linha com essa estratégia, a companhia recebeu no fim de maio, em Toulouse, o primeiro de 11 Airbus A330neo encomendados. A primeira aeronave de longa distância deve entrar em operação neste mês em rotas para a Europa e os Estados Unidos. A segunda unidade está prevista para o segundo semestre de 2026, com as demais sendo incorporadas gradualmente.

Imagem: Azul busca conter efeitos da escalada do preço do querosene de aviação

O setor teme ainda os efeitos de uma eventual reforma tributária que inclua IVA de 26,5% sobre passagens aéreas: a Iata estima que isso reduziria a demanda doméstica em 30%, levando o número de passageiros de mais de 100 milhões para menos de 90 milhões por ano, e eliminaria até 3,6 milhões de viagens internacionais, com aumento médio de tarifa de cerca de US$ 195. Hoje, impostos e tarifas representam 29% do preço dos bilhetes na América Latina e no Caribe, ante 15% na América do Norte.

Chegada de American e United à Azul

No contexto de ajuste de capacidade e aposta no mercado premium, ganharam relevância os investimentos de US$ 100 milhões feitos pela American Airlines e pela United Airlines na Azul durante o Chapter 11. As aportes têm objetivo de fortalecer a concorrência com a Delta e a Latam, segundo Scott Kirby, CEO da United.





A United teve seu investimento aprovado pelo Cade; o aporte da American segue sob análise da Superintendência-Geral do órgão. A Abra, controladora da Gol, tentou atuar como terceira interessada no processo, mas teve o recurso negado; a holding que também controla a Avianca pretende recorrer.

A Azul afirmou que a parceria com as americanas ajuda a conectar passageiros internacionais ao interior do Brasil, preenchendo uma lacuna já que American e United não operam voos domésticos no país.

Com informações de Investnews

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