Placas de circuito impressas usadas em sistemas de IA viram foco de alerta nos EUA
Autoridades e empresas dos Estados Unidos passaram a concentrar atenção nas placas de circuito impresso (PCIs) utilizadas em sistemas de inteligência artificial, por receio de que componentes maliciosos sejam inseridos durante a fabricação, informa a CNBC. O movimento desloca parte do foco da corrida por GPUs e data centers para um componente menos visível, porém essencial ao funcionamento dos equipamentos.
O que são as PCIs e por que importam
As placas de circuito impresso servem como base para a montagem dos chips e para a interconexão dos diversos componentes eletrônicos. “Os chips não flutuam”, resumiu Cathie Gridley, vice-presidente executiva da TTM, em entrevista à CNBC, para explicar a necessidade de montagem em placas para que os sistemas funcionem.
O alerta dos EUA também tem relação com a concentração da produção. Segundo a Associação de Placas de Circuito Impresso da América (PCBAA), os Estados Unidos respondiam por cerca de 30% da produção global de PCIs no passado; hoje essa participação caiu para apenas 4%. David Schild, diretor executivo da entidade, descreveu o quadro como uma “dependência arriscada”.
Riscos apontados pelo Departamento de Defesa
O Departamento de Defesa norte-americano teme que placas comprometidas permitam sabotagens em equipamentos estratégicos. Mike Cadenazzi, secretário adjunto de guerra dos EUA para política de base industrial, declarou à CNBC que “chips, substratos e placas de circuito impresso representam múltiplas vias de ataque para um potencial agente malicioso”. Ele acrescentou que um ataque poderia, por exemplo, ativar um código que faça a placa, em combinação com o chip, interromper a orientação de uma munição.
Especialistas ressaltam que componentes maliciosos podem ser ocultados em camadas internas das PCIs, o que dificulta a detecção. Entre as preocupações do setor estão a inserção de componentes maliciosos, o desvio de dados sensíveis, a redução proposital de desempenho, a interrupção de sistemas militares e a dependência excessiva da cadeia produtiva chinesa.
Imagem: Imagem Divulgação
Resposta do setor e impacto econômico
Empresas americanas como TTM Technologies e Sanmina tentam ampliar a fabricação doméstica diante da crescente demanda por IA. A TTM anunciou novas unidades em Nova York e Wisconsin, embora mantenha sete fábricas na Ásia, incluindo sua maior planta na China. Edwin Roks, CEO da TTM, afirmou que “tem que ser nos EUA e, em breve, na Europa”.
O impacto já aparece nos preços: relatório do Goldman Sachs citado pela Reuters aponta alta de até 40% nas PCIs entre março e abril, enquanto a TTM informou reajustes entre 5% e 25%. Conflitos internacionais, como a guerra no Oriente Médio e as tensões envolvendo o Irã, também pressionam o fornecimento de matérias-primas, como cobre e resina.
Com informações de Olhardigital