China deixa de copiar e assume liderança na inovação dos carros elétricos
A indústria automotiva chinesa deixou de se limitar a replicar modelos estrangeiros e passou a liderar avanços tecnológicos em veículos elétricos (EVs), com lançamentos e recordes que colocam fabricantes do país na vanguarda do setor global.
Inovações e recordes recentes
Em 2023, a montadora BYD apresentou o Yangwang U8, um SUV equipado com quatro motores elétricos independentes capaz de realizar a chamada “tank turn” — girar 360 graus sobre o próprio eixo. Modelos de outras marcas chinesas também exibiram manobras semelhantes, como o Zeekr 001 FR da Geely.
No ano passado, o Yangwang U9 Xtreme alcançou 496 km/h, tornando-se o carro de produção homologado para as ruas mais rápido do mundo. Ainda recentemente, o protótipo Xiaomi SU7 Ultra estabeleceu a volta mais rápida para um sedã quatro portas no Nürburgring Nordschleife, na Alemanha, com tempo de 6 minutos e 46,8 segundos.
Transformação da indústria
Marcas chinesas como BYD, Xiaomi, XPeng, Geely, Chery e NIO vêm se posicionando não apenas como fabricantes de veículos de baixo custo, mas como potências tecnológicas. Segundo a reportagem, muitos desses fabricantes entregam integração avançada de software, tecnologia de baterias, maior velocidade de recarga e recursos de inteligência artificial embarcada, frequentemente a preços inferiores aos concorrentes ocidentais.
Há 15 anos, carros chineses eram frequentemente criticados por qualidade inferior, padrões de segurança discutíveis e design pouco original. Hoje, algumas empresas já oferecem sistemas de carregamento ultrarrápido, assistentes de voz com IA e interiores que desafiam montadoras estabelecidas.
Velocidade de desenvolvimento
O vice-presidente sênior de design da Nissan, Alfonso Albaisa, afirmou que montadoras tradicionais costumam levar entre 36 e 55 meses para projetar e construir um carro novo, dependendo do modelo. Em contraste, algumas fabricantes chinesas reduziram esse ciclo para cerca de 24 meses.
No Auto Shanghai 2025 e no Salão do Automóvel de Pequim, montadoras chinesas apresentaram sucessivamente veículos tecnologicamente avançados, enquanto fabricantes tradicionais enfrentaram dificuldade em gerar entusiasmo similar.
Imagem: Divulgação
Impacto para concorrentes e comércio internacional
A Tesla, que dominou o mercado chinês em parte por sua fábrica em Xangai, tem visto sua participação encolher. Segundo a reportagem, a fatia da Tesla no mercado chinês de veículos de nova energia (NEV) caiu para aproximadamente 3%, ante cerca de 8% no fim do ano anterior, à medida que consumidores locais optam por marcas domésticas com modelos mais acessíveis e sistemas de infotainment mais modernos.
Governos na Europa e na América do Norte demonstram preocupação. Os Estados Unidos aplicam tarifas de 125% sobre importações de EVs chineses, medida que, na prática, restringe o acesso desses veículos ao mercado americano.
Controle da cadeia de baterias
Empresas chinesas passaram a dominar partes importantes da cadeia global de baterias, incluindo mineração, refino e produção de células. A Contemporary Amperex Technology Co. Limited (CATL) é apontada como fornecedora crítica para a indústria. Além disso, a China possui vantagens no processamento de terras raras e na produção de componentes essenciais, destacando-se como maior produtor em larga escala de elementos como disprósio e térbio, usados em motores elétricos de alta potência e torque.
Reação das montadoras tradicionais
Fabricantes estabelecidos já buscam respostas: a Toyota intensificou investimentos em híbridos, montadoras alemãs aceleram desenvolvimento de software e lançamentos de EVs, e empresas americanas destinam bilhões para fábricas de baterias e produção local. Apesar das forças históricas das marcas tradicionais — redes de concessionárias, expertise em engenharia e confiança do consumidor —, a reportagem aponta que o centro de gravidade da indústria automotiva parece estar se deslocando rapidamente para a China.
Com informações de Forbes