Empreendedorismo

China suspende liberações de licenças para plantas de carne bovina dos EUA horas após aparente aprovação

14.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A Administração Geral de Alfândega da China interrompeu nesta quinta-feira as liberações de exportação para centenas de frigoríficos de carne bovina dos Estados Unidos, poucas horas depois de veículos de imprensa relatarem que licenças haviam sido aprovadas durante a cúpula entre os presidentes dos dois países em Pequim.

Mais de 400 plantas norte-americanas já haviam perdido a elegibilidade para exportação no ano passado, quando permissões emitidas entre março de 2020 e abril de 2021 expiraram sem a renovação habitual, segundo os registros, correspondendo a cerca de 65% das instalações anteriormente registradas.

O eventual restabelecimento das licenças foi visto como uma vitória para produtores dos EUA e foi tema citado pela Casa Branca nas semanas que antecederam a reunião bilateral. No site da alfândega chinesa, o status de registro chegou a aparecer como “efetivo” no início da quinta-feira, mas depois foi alterado novamente para “expirado”.

Procurada pela Reuters, a Administração Geral de Alfândega da China não atendeu telefonemas e não respondeu de imediato a perguntas enviadas por fax sobre o motivo da reversão no sistema.

Representantes de algumas empresas chinesas do setor se negaram a comentar ou a ser identificados, citando a sensibilidade do tema, informou a reportagem.

Analistas consultados pela reportagem afirmaram que a medida pode estar sendo usada como instrumento nas negociações comerciais bilaterais, enviando sinais políticos sem, na avaliação deles, gerar riscos incontroláveis. Xu Hongzhi, analista sênior da PEQUIM Orient Agribusiness Consultants, declarou não ter certeza sobre a causa direta da mudança, mas avaliou que o episódio reflete a dinâmica de barganha entre os países.

Imagem: REUTERS/Joel Angel JuarezLote de bovinos de corte em confinamento no Texas

Durante o encontro bilateral em Pequim, o presidente chinês Xi Jinping pediu a ampliação da cooperação em áreas como comércio e agricultura, informou a emissora estatal CCTV. Entre os integrantes da comitiva americana estava Brian Sikes, CEO da Cargill; instalações das empresas Cargill e Tyson Foods constavam entre as plantas listadas quando as renovações apareceram no site da alfândega.

As exportações de carne bovina dos EUA para a China vinham sofrendo queda desde o auge de US$ 1,7 bilhão registrado em 2022, chegando a cerca de US$ 500 milhões no ano passado, reflexo das restrições impostas pela guerra comercial entre Pequim e Washington.

Com informações de Forbes

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