Empreendedorismo

Petrobras quer suprir 35% da demanda de fertilizantes nitrogenados até 2028

13.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A Petrobras pretende produzir 35% da demanda brasileira de fertilizantes nitrogenados em 2028, informou a presidente da estatal, Magda Chambriard, em coletiva realizada na tarde desta quarta-feira. A meta depende do funcionamento de quatro unidades: as fábricas da Bahia e de Sergipe, a planta de Araucária (Paraná) e a Unidade de Fertilizantes Nitrogenados III (UFN III), em Três Lagoas (Mato Grosso do Sul).

Segundo Chambriard, a retomada das plantas faz parte da estratégia do governo federal para reduzir a dependência de importações, que atualmente correspondem a cerca de 85% do consumo nacional de fertilizantes. As unidades da Bahia e de Sergipe vinham sendo reativadas desde janeiro e, juntas, vão produzir amônia, ureia e Arla 32, com investimentos iniciais de R$ 38 milhões em cada uma. As fábricas utilizam o gás natural como insumo principal.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva visitará a planta baiana amanhã às 14h, acompanhado pela presidente da Petrobras, afirmou a executiva. A companhia destacou que a amônia é insumo básico para a produção de ureia, que por sua vez gera fertilizantes nitrogenados utilizados na agricultura; a ureia também tem aplicações nas indústrias têxtil, de tintas e de papel e celulose. O Arla 32 é destinado à redução de emissões em veículos a diesel, como caminhões e ônibus.

Com a soma das duas Fafens e da unidade de Araucária (Ansa), a Petrobras estima atender 20% da demanda nacional de ureia neste momento. A ampliação para 35% só será alcançada com a conclusão das obras da UFN III, em Três Lagoas, empreendimento que, segundo a estatal em abril, estava com cerca de 80% das obras finalizadas.

“Com as quatro unidades em 2028, seremos capazes de produzir cerca de 35% de todo o fertilizante nitrogenado que o Brasil demanda”, afirmou Magda, ressaltando ainda a intenção de ampliar o uso do gás natural e de reativar a produção que estava paralisada desde 2019 e interrompida em 2023.

Magda informou também outros planos para a Bahia: investimentos de US$ 5 bilhões nos próximos cinco anos em exploração e produção, com 100 poços e intervenções no Recôncavo para mais que dobrar a produção estadual. Há ainda previsão de R$ 115 milhões para a produção de biodiesel na usina de Candeias e negociações para recomprar a Refinaria de Mataripe, vendida ao Mubadala na gestão anterior.

Imagem: Divulgação

Entenda a polêmica das Fafens

A fábrica de fertilizantes da Bahia, em Camaçari, tem capacidade para produzir 1.300 toneladas por dia de ureia, o equivalente a 5% do mercado nacional. Em Sergipe, a planta de Laranjeiras pode gerar 1.800 toneladas por dia, ou 7% da demanda. A Ansa responde por 8% e a UFN III por 15%.

As unidades da Bahia e de Sergipe foram arrendadas à Unigel em 2019 por um contrato de dez anos durante a política de desinvestimentos da Petrobras. Em 2023, a Unigel suspendeu as operações citando inviabilidade econômica relacionada ao preço do gás. Para tentar reativar as plantas, as empresas negociaram um contrato de “tolling” em que a Petrobras forneceria o gás e compraria a produção, enquanto a Unigel operaria industrialmente.

O acordo foi alvo de questionamento do Tribunal de Contas da União (TCU), que apontou risco de prejuízo estimado em cerca de R$ 487 milhões para a Petrobras. O contrato não chegou a vigorar e, em junho de 2024, as partes anunciaram o encerramento do acordo. No ano passado, a estatal retomou a posse das fábricas.

Com informações de Infomoney

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