Tecnologia

Demissões em tecnologia em 2026 são atribuídas à IA em meio a lucros recordes e controvérsias

15.06.2026 | Por: Gudyê KondZilla

O setor de tecnologia vive em 2026 um cenário de fortes ganhos financeiros enquanto registra demissões em massa que empresas frequentemente atribuem ao avanço da inteligência artificial. Plataformas que monitoram o mercado de trabalho apontam para um volume significativo de desligamentos, gerando questionamentos sobre a real motivação por trás dos cortes.

Segundo a plataforma de emprego e recrutamento TrueUp, cerca de 150.000 profissionais do setor foram afetados por demissões neste ano, em um ritmo que chega a aproximadamente 974 desligamentos por dia — um aumento de 44% em comparação ao mesmo período de 2025.

IA como justificativa ou pretexto?

Nem todos aceitam a IA como causa principal das demissões. O debate se intensificou quando companhias lucrativas passaram a ligar publicamente os cortes ao uso de ferramentas de inteligência artificial.

Um dos casos mais debatidos é o da Block. No início de 2026, a empresa de pagamentos demitiu cerca de 4.000 funcionários — quase metade de sua equipe na época. O fundador Jack Dorsey afirmou que as ferramentas de IA estão permitindo uma nova forma de trabalho que muda a maneira de construir e operar empresas, mas depois admitiu que a companhia havia contratado em excesso durante a pandemia.

O investidor Marc Andreessen também questionou essa narrativa. Em entrevista, ele caracterizou o recurso à IA como uma desculpa pronta para justificar cortes, afirmando que muitas grandes empresas têm excesso de pessoal — citando percentuais médios de pelo menos 25%, com a maioria perto de 50% e várias chegando a 75%.

A Uber reduziu cerca de 23% de sua divisão de recursos humanos e recrutamento, impacto que representou menos de 1% do total dos 34.000 empregados da empresa. A companhia negou relação entre os cortes e a IA, mas a medida ocorreu logo após seu diretor de tecnologia dizer que o orçamento anual para ferramentas de programação baseadas em IA havia sido consumido em quatro meses.

Valorização recorde enquanto vagas desaparecem

Os desligamentos coincidem com forte valorização de empresas ligadas à inteligência artificial. A fabricante de chips Cerebras Systems estreou na Nasdaq com alta de 68% sobre o preço inicial, chegando a um valor de mercado em torno de US$ 67 bilhões, o que tornou seus cofundadores Andrew Feldman e Sean Lie bilionários.

Imagem: Imagem Divulgação

A SpaceX atingiu avaliação de US$ 2,1 trilhões, com potencial de criar cerca de 4.400 novos milionários entre seus funcionários. Anthropic e OpenAI também figuram entre empresas caminhando para avaliações próximas ou superiores a US$ 1 trilhão.

Alguns dados ressaltam o contexto: cerca de 150.000 profissionais impactados em 2026; aproximadamente 40.000 cortes apenas em maio; possibilidade de surgirem cerca de 4.400 novos milionários relacionados à SpaceX; e companhias que seguiram se valorizando mesmo após anunciarem redução de pessoal. Em março, Mark Zuckerberg comprou uma mansão de US$ 170 milhões em Miami; dois meses depois a Meta demitiu 8.000 funcionários, aproximadamente 10% de seu quadro.

Tensão social e econômica

As demissões ocorrem num momento de aumento do custo de vida nos Estados Unidos, com elevação de gastos com saúde, moradia e financiamentos imobiliários, pressionando famílias já em situação econômica delicada. O contraste entre a rápida acumulação de riqueza por investidores e executivos e a perda de vagas levou comparações com movimentos de insatisfação social, como o Occupy Wall Street após a crise de 2008.

Empresas como Block, Atlassian e Cloudflare chegaram a ver suas ações subirem após relacionarem cortes à inteligência artificial. Ainda assim, a ligação entre IA e demissões segue sob escrutínio, à medida que analistas e figuras do mercado questionam se a tecnologia é causa real ou justificativa para ajustes de pessoal.

Com informações de Olhardigital

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