Conselhos de administração devem incluir visibilidade em IA na agenda
Conselhos de administração, CEOs e demais lideranças empresariais precisam considerar a visibilidade das companhias em sistemas de inteligência artificial, segundo análise publicada na Forbes. O argumento parte da constatação de que modelos de IA já influenciam a forma como empresas, produtos e fornecedores são encontrados e avaliados por investidores, jornalistas e clientes.
Há pouco mais de duas décadas, muitos conselhos não discutiam presença digital: sites corporativos eram tratados como uma atribuição operacional, redes sociais ainda não tinham peso estratégico e SEO era tema para especialistas. As organizações que anteciparam essas mudanças obtiveram vantagens competitivas; as que reagiram tardiamente tiveram de recuperar terreno.
Como os sistemas de inteligência artificial estão entendendo a sua empresa?
O fenômeno atual é comparado a essa transição. Plataformas de IA como ChatGPT, Gemini, Claude e Perplexity não apenas listam links — elas sintetizam, priorizam e contextualizam informações extraídas de grandes volumes de conteúdo produzido por terceiros. Por isso, quando alguém consulta esses sistemas sobre quais empresas lideram um setor, a resposta já traz interpretação: nomes citados, omissões, associações positivas ou descrições parciais.
Esses elementos compõem a matéria-prima que modelos de IA usam para construir associações e respostas. Por essa razão, a visibilidade em IA deixou de ser pauta restrita a áreas de marketing ou tecnologia: trata-se também de reputação, influência e da capacidade de ocupar posições relevantes em ambientes que já influenciam decisões de compra, investimento e contratação.
Em diversos setores, empresas já estão mapeando como são retratadas por modelos de IA, que concorrentes aparecem com mais frequência e quais atributos são atribuídos às suas marcas — não por mera curiosidade, mas por estratégia. À medida que jornadas de descoberta migram para interfaces conversacionais, ignorar esse movimento é abrir mão de entender e atuar em um novo canal de influência.
Ainda é cedo para dimensionar o impacto econômico final dessa mudança, mas é evidente que ela não ficará restrita a departamentos de inovação. Assim como a internet e as redes sociais forçaram adaptações nas estratégias digitais e de comunicação, a inteligência artificial começa a transformar a circulação de conhecimento, confiança e relevância na economia. Por isso, o tema merece espaço nas agendas dos conselhos.
Imagem: Getty Images
Quando clientes consultam a IA sobre sua empresa, a resposta que aparece é referência, nota de rodapé ou ausência?
Luiz Bernardo é formado em jornalismo, com especialização em economia pela FAAP e MBAs pela Aberje e FIA/USP. Trabalhou em grandes redações de TV, na Accenture e em agências de comunicação, inbound marketing e brand publishing. É fundador da Prosperidade Conteúdos e professor na Descola, EducaSEO e APP Brasil.
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Com informações de Forbes