99Food e Keeta intensificam disputa com o iFood no mercado de delivery em São Paulo
As plataformas chinesas de entrega de comida 99Food, controlada pela DiDi Global, e Keeta, ligada à Meituan, intensificaram a disputa com o iFood nas ruas de São Paulo, principal palco da concorrência pelo maior mercado de entrega do Brasil. O país, com mais de 200 milhões de habitantes e alta penetração de serviços digitais, é visto como estratégico para a expansão das empresas estrangeiras.
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As rivais ampliam investimentos, oferecem promoções agressivas aos consumidores e passaram a atrair atenção de autoridades regulatórias. Segundo dados citados por executivos, o Brasil pode ver o total de usuários de aplicativos de entrega dobrar, chegando a 120 milhões nos próximos cinco anos. O comportamento digital do público brasileiro também chama atenção: o comércio eletrônico já representa 23% do varejo, ante média de 16% na América Latina, conforme Tiago Harduim, analista de consumo da Bloomberg Intelligence.
Início conturbado e novos aportes
A DiDi relançou seu serviço de delivery no Brasil em abril de 2025, após tentativa anterior pouco bem-sucedida, e se comprometeu a investir R$ 2 bilhões no primeiro ano após o retorno, apoiando-se em sua estrutura de transporte por aplicativo e pagamentos. A Keeta começou a operar em São Paulo em dezembro e prometeu investir R$ 5,6 bilhões ao longo de cinco anos. No entanto, a empresa adiou o início das operações no Rio de Janeiro no fim de fevereiro e dispensou funcionários locais sem nova data prevista para o lançamento na capital fluminense.
Apesar das dificuldades, a Keeta avançou rapidamente em usuários ativos mensais: segundo Abe Yousef, analista sênior da Sensor Tower, a Keeta superou a Rappi em menos de três meses após o lançamento.
Promoções, visibilidade e regulação
As ações de marketing ganharam destaque durante o Carnaval, quando cerca de 1 milhão de pessoas se reuniram em um parque para assistir ao show da cantora Ivete Sangalo, que vestiu amarelo-neon em homenagem à patrocinadora 99Food. A visibilidade faz parte da estratégia da 99Food para conter o avanço da Keeta.
Reclamações da Keeta levaram o Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) a abrir uma investigação contra a 99Food para apurar possível abuso de posição dominante, com foco em contratos de exclusividade com restaurantes. A 99Food afirmou que o procedimento segue protocolo padrão do Cade e que garantir condições de entrada a novos participantes é “essencial”.
Em maio, o Cade também abriu apuração contra o iFood por supostas violações de um acordo de 2023 que limitava contratos de exclusividade. O iFood negou irregularidades e, dias depois, processou a Keeta por concorrência desleal, alegando espionagem comercial.
Imagem: Maira Erlich
iFood mantém posição e amplia ecossistema
Mesmo sob investigação, o iFood segue como concorrente robusto: entre abril de 2025 e março de 2026, a empresa relatou investimentos diretos de R$ 17 bilhões no Brasil e adquiriu participação minoritária na Daki para fortalecer sua presença no varejo. O CEO Diego Barreto anunciou planos de novos investimentos em parcerias com restaurantes, farmácias, pet shops e infraestrutura digital, visando transformar a empresa em um negócio com forte uso de inteligência artificial.
Modelos de ecossistema e reação do setor
A 99Food integra o 99 SuperApp, que reúne transporte de passageiros, entregas via 99Entrega e serviços financeiros pela 99Pay; a empresa diz ter cerca de 60 milhões de usuários ativos em 3.300 municípios brasileiros. A Meituan, por sua vez, busca replicar hábitos de consumo digitais no país e alcançar clientes fora do universo digital tradicional.
Representantes do setor veem ganhos potenciais: Paulo Solmucci, da Abrasel, afirmou que donos de restaurantes esperam melhorias em tecnologia e embalagens. Entregadores também relatam benefícios da concorrência. Um deles, Edson Cardozo dos Santos, começou a trabalhar para a Keeta em dezembro após seis anos no iFood, afirmando que as condições no iFood pioraram após a liderança de mercado.
A disputa entre as empresas se mantém acirrada em São Paulo, com investimentos, promoções e investigações regulatórias moldando o cenário do delivery no Brasil.
Com informações de Investnews