Empreendedorismo

31/03/2027 — Raízen propõe a credores trocar R$ 29,4 bilhões de dívida por ações e reformular conselho

28.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

A Raízen apresentou aos credores uma proposta de reestruturação que prevê a conversão de R$ 29,4 bilhões, equivalente a 45% da dívida sujeita à recuperação extrajudicial (RE), em ações da companhia, além de mudanças na governança e na estrutura operacional.

Segundo o documento divulgado nesta quarta-feira (27), o plano oficial abrange a reestruturação de R$ 65,4 bilhões em dívidas sujeitas à RE. Com a operação, a dívida bruta consolidada da empresa deve cair para R$ 47,8 bilhões, ante R$ 75,3 bilhões atualmente.

Como será a operação

A proposta está organizada em três blocos. O primeiro contempla um aporte de capital de R$ 3,5 bilhões pela Shell, com possibilidade de mais R$ 500 milhões via Aguassanta Investimentos, holding ligada a Rubens Ometto. Ainda assim, interlocutores indicam que os credores já não consideram garantido o aporte adicional de Ometto, dado o cenário de mudança na presidência do conselho.

O segundo pilar prevê a transformação de 45% da dívida em ações, a R$ 0,25 cada, emitidas na forma de Units compostas por uma ação ordinária (ON) e uma preferencial (PN). Os 55% restantes seriam convertidos em nova dívida, alocada entre as unidades: 37,4% para a Raízen Combustíveis e 17,6% para a Raízen Energia, que agruparia a operação agrícola.

A nova dívida da área de combustíveis terá custo de CDI + 275 pontos-base em reais ou 8,5% ao ano em dólar, com vencimentos em 2032 e 2034. Para a unidade de energia, a taxa será CDI + 125 pontos-base ou 7% ao ano em dólar, com prazos até 2033 e 2035. A operação agrícola terá opção de capitalizar juros nos três primeiros anos, mediante custo adicional de 200 pontos-base sobre a taxa contratada.

Como alternativas, a Raízen oferece um título de muito longo prazo, com vencimento em 2047 e deságio de 80%, e uma janela de pagamento à vista limitada a R$ 9,75 mil por credor, com teto agregado de R$ 150 milhões, destinada a reduzir o impacto sobre pequenos credores.

Divisão e governança

O terceiro ponto do plano prevê a cisão da companhia em duas empresas. O negócio de ESB (etanol, açúcar e bioenergia) e a operação de combustíveis na Argentina permaneceriam na Raízen Energia. A distribuição de combustíveis no Brasil, que inclui a marca Shell, cerca de 6,8 mil postos e o negócio de lubrificantes, integraria a Raízen Combustíveis. Após a transação, a alavancagem projetada é de 4,8 vezes Ebitda para combustíveis e 2,2 vezes para energia.

Imagem: Imagem Divulgação

O conselho de administração passaria a ter sete membros: quatro indicados pelos credores (incluindo o presidente) e três pelos acionistas que fizerem aportes de capital. A Shell manteria ao menos uma cadeira enquanto vigorar o contrato de licenciamento da marca. Será criado o cargo de Chief Restructuring Officer (CRO), liderado por Lorival Luz, diretor financeiro da Raízen, com supervisão de um Creditor Restructuring Advisory Officer (CRAO) e de um comitê de cinco membros escolhidos pelos credores.





O acordo de licenciamento da marca Shell seria renovado por 15 mais 15 anos, com royalties que passam a abarcar veículos elétricos e lojas de conveniência, e com piso e teto trimestrais corrigidos por IPCA + 3%, em substituição ao atual critério de CDI + 3%.

O fechamento da proposta depende de três condições: acordo de transação tributária federal, renegociação das obrigações de reembolso por Cosan e Shell relativas a contingências anteriores à formação da joint venture, e o desenho final do plano de desinvestimentos. A Raízen estima concluir a operação até 31 de março de 2027 e finalizar a segregação dos negócios ainda em 2027.

Com informações de Investnews

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