Música

Por que muitas pessoas ouvem a mesma música em loop: o que a ciência diz

30.05.2026 | Por: Gudyê KondZilla

Quem: estudos de neurociência e psicologia, incluindo pesquisadores do Center for Music in the Brain (MIB) da Universidade de Aarhus (Dinamarca).

O que: ouvir repetidamente a mesma música ativa circuitos cerebrais associados a recompensa, memória e regulação emocional, o que explica por que algumas faixas ficam em loop na playlist de muitas pessoas.

Onde e quando: o tema é abordado no Annual Report 2022 do MIB e em trabalhos publicados em revistas científicas como Frontiers in Psychology e Frontiers in Neuroscience.

Como: quando o cérebro reconhece um padrão musical conhecido, há liberação de dopamina — neurotransmissor ligado ao prazer e à motivação — em resposta à previsão correta do que virá a seguir. Esse mecanismo de recompensa reforça a tendência de voltar às mesmas faixas.

O chamado efeito da mera exposição, proposto pelo psicólogo Robert Zajonc na década de 1960, também ajuda a explicar o fenômeno: a repetição aumenta a preferência por estímulos aos quais somos expostos com frequência. Um estudo publicado na Frontiers in Psychology (PMC5374342) indicou que ouvir repetidamente uma música eleva o grau de apreço pela faixa, independentemente de sua simplicidade ou complexidade.

Além do prazer imediato, a repetição está ligada à memória. Uma meta-análise de neuroimagem publicada em 2018 na Frontiers in Neuroscience revelou que a escuta de músicas familiares fortalece a conectividade entre o córtex auditivo e o hipocampo, área crucial no processamento de memórias. Esse elo explica por que uma canção pode transportar o ouvinte a um momento específico do passado, evocando cheiros, cenários e sensações.

Imagem: Imagem Divulgação

A familiaridade com uma faixa também facilita a regulação emocional: ao reduzir o esforço preditivo do cérebro, a repetição libera recursos para o processamento emocional, funcionando como uma estratégia de autorregulação em momentos difíceis. Há ainda um componente identitário: determinadas músicas atuam como marcadores biográficos, permitindo revisitar versões anteriores de si mesmo sem sair do lugar — ponto já destacado em matéria do Vagalume publicada em 28 de maio de 2026.

Os pesquisadores alertam, no entanto, que a repetição compulsiva pode estar associada a estados emocionais intensos não resolvidos, e que ouvir o mesmo single 200 vezes nem sempre é saudável. Ainda assim, na maioria dos casos, repetir uma música é comportamento comum e muitas vezes desejável; hits que envelhecem bem ganham camadas a cada audição, recompensando ouvintes frequentes.

No fim das contas, repetir uma música tende a ser menos um vício e mais uma resposta cerebral que combina dopamina, memória e identidade em um mesmo refrão.

Com informações de Vagalume

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