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Pega a visão de Iniciativas que ajudam pessoas pretas no mercado de trabalho

19.11.2021 | Por: Rayane Moura

Mesmo sendo mais da metade da população brasileira, ainda é muito difícil pessoas pretas ocuparem alguns espaços, principalmente cargos de liderança nas grandes empresas. E por isso, determinadas iniciativas são criadas com a ideia de fazer esse cenário mudar. Pega a visão! 

Para você entender melhor porque esses projetos são necessários, dados mostram que os pretos ainda são minoria em cargos de suporte, média e alta gestão. É o que mostra o levantamento da plataforma Vagas.com, que aponta que a maioria dos pretos e pardos ocupam posições operacionais e técnicas. 

Segundo o levantamento da empresa feito em 2020, a maioria dos pretos e pardos ocupam posições operacionais (47,6%) e técnicas (11,4%). Uma minoria relata ocupar cargos de diretoria, supervisão, coordenação e de senioridade, de alta e média gestão: apenas 0,7%.

E como podemos mudar isso? 

Para tentar mudar esse cenário de alguma forma, ações e projetos sociais foram criados com a ideia de fazer com que os pretos ocupem esses espaços. Com isso, as iniciativas oferecem cursos extracurriculares, indicações para grandes empresas, além de educação empreendedora. 

Pensando nisso, o Portal KondZilla separou algumas iniciativas que auxiliam as pessoas pretas a ingressarem em bons cargos no mercado de trabalho. Além disso, trocamos uma ideia com criadores de dois projetos. Pega a visão: 

Se liga na “Escola da Ponte para Pretxs” 

Para diminuir essa enorme diferença no mercado de trabalho, o cientista social Vitor Del Rey, de Nova Iguaçu, Rio de Janeiro, criou em 2016 o grupo do Facebook “A Ponte Para Pretxs”. Tudo começou após ele ser procurado frequentemente para indicar pessoas negras para vagas em grandes empresas. 

O que nasceu como um espaço para Vitor divulgar alguns cargos de estágio, efetivos e de intercâmbio, com 140 pessoas no total, atualmente conta com mais de 38 mil pessoas. 

“Em 2019 eu comecei a fazer umas pesquisas dentro do grupo para saber se estava dando certo. E aí descobri que não, que o grupo não estava cumprindo o seu papel, e fui tentar saber o porquê disso. Dentro das respostas que a gente teve, foi que a galera tinha baixa qualificação, mas pra gente não fazia muito sentido qualificação, porque 90% do grupo tem nível superior”, explica o idealizador do projeto. 

Com o tempo, Vitor percebeu que mesmo com curso superior, muitas pessoas pretas de quebradas não conseguiam se candidatar para as vagas pela falta de cursos extracurriculares. “São cursos caros, rápidos, e que o mercado aproveita muito os profissionais que fazem esse tipo de formação. Foi aí que resolvemos criar a Escola da Ponte”, conta.

“O que é a Escola da Ponte? É uma escola normal, que ensina esses cursos rápidos, que são muito caros, de forma gratuita somente para pretos. A gente criou a escola em 2019, e no primeiro ano teve um total de 350 alunos, uma fila de espera de 5.700 pessoas. A gente funcionou presencialmente em cinco lugares diferentes do estado do Rio de Janeiro, com cursos que iam desde inglês até economia criativa”, completa Vitor. 

E foi assim, que em março de 2019, nasceu a Escola da Ponte Para Pretxs. A ideia é a capacitação educacional e atualização profissional para pessoas negras, seja tanto para o mercado de trabalho quanto para atividade empreendedora. 

Atualmente, na Escola da Ponte são oferecidos cursos gratuitos por trilhas. Na trilha de idioma, há Inglês, Francês e Espanhol; Na trilha de desenvolvimento pessoal: Desenvolvimento de Competências Socioemocionais e Coach de Carreiras; na trilha de design: Design Thinking, Design Sprint e UX Design; na trilha de tecnologia: Power BI, programação em linguagens como Blockchain, HTML, VBA, Python, entre outras; além disso, na trilha voltada para empreendedorismo e economia criativa, existem aulas que vão desde a Educação Financeira à Branding, Storytelling e Cenografia. 

Vitor também tem planos de expandir a Escola da Ponte para outros estados, mas com a chegada da pandemia, isso ainda não foi possível. Por isso, a modalidade EAD foi implantada, fazendo com que todos os estados brasileiros fossem atendidos e o número de alunos saltou para cerca de 3.000 pessoas. 

“Agora o próximo passo para 2022 é a ideia de tocar as filias para outros estados, e internacionalização iniciando pela América Latina. Começar a ter cursos com pretos de outros países e brasileiros na mesma sala, trocando vivências e experiências”, enfatiza Vitor. 

Se você é uma pessoa preta de quebrada e tem interesse em ingressar em algum dos cursos da Escola da Ponte Para Pretxs, basta entrar em contato com via redes sociais: Instagram, Facebook, Linkedin ou WhatsApp

Além disso, se você simpatizou com o projeto e deseja apoiar a Escola da Ponte da Pretxs, pode fazer uma doação através dos sites Apoia.Se e Abacashi. O projeto também está com vagas abertas para professores voluntários, através deste link

Conheça a “Firma Preta”

Outro projeto que chega com esse intuito é a Firma Preta. A iniciativa foi idealizada pelos jornalistas Juliana Gonçalves e Emílio Moreno, e tem como propósito fazer a ponte entre profissionais negros e indígenas com empresas comprometidas com a promoção da diversidade e inclusão.

“A firma nasce de um incômodo e uma vontade de mudar um cenário que a gente enxerga em empresas, instituições e associações, que são de pessoas brancas nos cargos de liderança e como pessoas negras e indígenas nos cargos que a gente chama de chão de fábrica ”, Diz Juliana Gonçalves, que é cofundadora da firma preta. 

Juliana começou a receber muitos pedidos de indicação para vagas voltadas para pessoas pretas e indígenas, e isso fez com que ela ficasse no corre na própria rede social buscando quem poderia ter o perfil adequado para o cargo, o que dava um certo trabalho. 

“Em paralelo a isso, o Emílio Moreno que é cofundador da firma preta ao meu lado compartilhava sempre informações de cursos e editais. Em dado momento virei para ele e dei a ideia de transformar isso em uma newsletter, porque iria facilitar nossa vida”, explica a jornalista. A ideia era unir em um único lugar as vagas destinadas para as pessoas pretas e indígenas, junto com os cursos e editais que Emílio compartilhava. 

E assim, após diversas reuniões e uma vontade de fazer com que essas vagas e cursos chegassem até os negros e indígenas, nasce a Firma Preta. “Essas não estão ali só para estar no chão de fábrica, é para ter plano de carreira, alcançar cargos de liderança, então é para que a gente mude mesmo esse cenário que encontramos empresas, porque é um cenário que vai se repetir em diferentes lugares ”, conta a Jornalista.

Além de Juliana e Emílio, a equipe da Firma Preta também é composta pela Larissa Cargnin, que é a Diretora de Arte e cuida de toda parte de design do projeto.

A ideia é construir uma comunidade de suporte e curadoria com dicas de oportunidades de emprego, bolsas, editais, cursos e estabelecer um elo entre quem busca construir ou movimentar a carreira e empresas que desejam mudar questões estruturais tornando seu quadro de funcionários mais diverso.

“A gente checa informações da empresa, para saber se não tem nenhum tipo de denúncia de assédio e tudo mais. Temos todo esse cuidado de fazer essa checagem e ver se é uma vaga boa, se é uma boa oportunidade mesmo, para depois enviar e compartilhar com as pessoas”, afirma Juliana sobre como é feito esse processo. 

Além das vagas, o candidato recebe por e-mail um texto reflexivo sobre alguma discussão importante que rolou durante a semana. A Firma Preta também tem um banco de talentos, onde compartilham com as empresas os perfis profissionais negros e indígenas. 

“Quando eu soube da primeira pessoa que conseguiu uma mudança de rumo na carreira através de uma vaga anunciada na Firma Preta, fiquei muito emocionada,  vi que aquilo tava dando certo, era um propósito que estava acontecendo. Eu cheguei a chorar porque fiquei muito feliz mesmo, de ter esse retorno, de saber esse pouquinho que a gente faz tava dando frutos, tava dando certo de alguma forma”, comemora Juliana.

Se você tem interesse em receber as vagas e informações importantes da Firma Preta, basta acessar este link e preencher o formulário. Além disso, as empresas que desejam anunciar cargos ou cursos destinados às pessoas pretas e indígenas, basta entrar em contato com o projeto através das redes sociais: Instagram, Linkedin ou Twitter.  

Confira outras iniciativas!

Indique uma Preta 

Indique uma Preta é uma consultoria que busca transformar as relações e os espaços corporativos, conectando pessoas negras ao mercado de trabalho para que as organizações sejam ambientes mais democráticos e inclusivos.

Banco de Talentos Negros 

O Banco de Talentos Negros chega para unir profissionais negros a empregadores do mercado de comunicação. A intenção do projeto é reunir em um único lugar currículos de talentos negros e possibilitar que empregadores os visualizem, aumentando assim as chances de inserção no mercado de trabalho.

PretaLab

O projeto PretaLab chega para indicar e lutar por mais mulheres negras na área de tecnologia. A iniciativa reúne em um banco perfis de profissionais negra que representam potência e estão contribuindo para trazer relevantes questões para o desenvolvimento tecnológico, melhorando produtos, serviços e gerando reflexões. 

Potências Negras

A iniciativa Potências Negras promove eventos gratuitos e 100% onlines focados no desenvolvimento de pessoas negras para o mercado de trabalho. As aulas são sobre cultura negra, habilidades humanas, plano de carreira, branding pessoal e universo corporativo. Nos painéis, discussões propositivas sobre como formar potências negras e dar acesso e oportunidades reais a essas pessoas.

OPreta

Iniciativa de Marketing digital voltado para empreendedoras negras. A ideia é dar consultorias e mentorias em grupo. O grupo já conta com mais de 25 mil mulheres negras apenas no Facebook. 

RPretas

Coletivo de relações-públicas que tem como principal objetivo a construção de narrativas amplas e positivas para o público negro. A RPretas é uma Assessoria de Imprensa e Comunicação com Planejamento Estratégico, que conecta artistas independentes à mídias especializadas, marcas independentes à micro e nano influenciadores, entre outros. 

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