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Nativos MC’s: trio indígena defende causas do Xingu através do rap

09.02.2022 | Por: Glória Maria

Os MC’s Urysse Kuykuro, 17, Pajemc, 20 e Maccjb 33, se juntaram para lançar o som “Tente Entender” o grupo que se denomina como “Nativos MC’s” traz em suas letras a luta pelas suas terras, denúncia do desmatamento e a morte das florestas. Quer saber mais? Cola na KondZilla

O grupo compôs e canta há dois anos, mas foi recentemente que lançaram seu primeiro clipe, onde pedem demarcação de terras, trazem a potência da ancestralidade e afirmam que as leis criadas pelos homens brancos não cabem em sua cultura. Uma tentativa de quebrar com a ideia da colonização.   

O clipe foi produzido de forma independente com parceiros de diferentes aldeias e conta com imagens do dia a dia da aldeia. Além de denúncias que surgem através de imagens como incêndios nas matas, noticiários de jornais sobre massacre de povos indígenas. 

 Confira um dos trechos:

Trago em minhas veias minha tradição 

Ancestralidade dentro do meu coração 

Preste atenção, olha que contradição 

A gente briga a gente luta por demarcação 

Suas leis na nossa terra, aqui não vale nada 

Sua constituição aqui já foi rasgada 

Tantos candidatos em cada eleição 

Promessas juramentos só corrupção

Créditos: @lau_fkr

Os MC’s fazem parte da aldeia Afukuri, que fica no indígena Xingu, localizado no Alto Xingu, Mato Grosso do Sul. Eles dizem que a música se tornou uma arma de defesa, onde as realidades são atacadas.

Créditos: Divulgação

Em defesa da vida e da diversidade 

MC‘s afirmam que há uma diversidade de povos indígenas no Brasil, que culturas são exclusivas. Só em seu território são mais de 16 povos e 100 aldeias. Para eles é uma denúncia por meio da música como vítimas que são urgentes, como os garimpos tradicionais no Xingu, invasões ilegais da floresta em torno do território, invasões de ilegais pelo processo de água e do agronegócio. 

Além do atual governo que tem trabalhado e apoiado latifundiários e o massacre dos povos indígenas: “Estamos muito preocupados com nossas vidas, a morte tem chegado pela mão dos homens que só pensam em dinheiro, no lucro”.    

Crédito: Diego K. Yawalapiti

O grupo conta que as suas vidas estão ligadas à terra, algo que parece ser tão óbvio mas é. A aldeia, que também é uma forma de vida que precisa ser definida como viva e que pulsa com mata, o rio, e a floresta, como um ciclo que liga um ao outro. Eles também ressaltam que suas curas, remédios são, do ciclo natural do território assim como os alimentos, sustento e estilo de vida. 

Inspirações e futuro

Os jovens dizem que se inspiram em músicos como Kandu Puri e Kâe, Guajajara, Katu Mirim, Racionais MC ‘s, Xamã e outros. O grupo diz que já está com uma música no pente para lançamento no mês que vem e um álbum está sendo planejado para 2023.    

Para o futuro eles pretendem continuar na caminhada da música e aperfeiçoar seus sons mostrando para o mundo a cultura indígena, conhecimentos e lutas.

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