Comportamento

‘Mulheres que vestem as ruas’: orgulho do futebol feminino e na moda esportiva como elemento cultural

06.06.2021 | Por: Isabelly Domi

         Que torcedor de futebol já não esperou o dia de um grande clássico no Estádio do Pacaembu?! Seja se reunindo em sua quebrada ou se deslocando junto com uma torcida organizada, sempre havia uma ansiedade para ver seu time em um estádio tão histórico, mas o que poucos sabem é que o estádio que já sediou a Copa do Mundo masculina também já foi palco de protagonismo no futebol feminino.

         No mês de maio em homenagem aos 81 anos do primeiro jogo feminino no Paulo Machado de Carvalho, o Editorial “Mulheres que Vestem as Ruas” faz uma reverência ao legado escrito por corajosas mulheres que jogaram a favor da igualdade de gênero e social já que em meados dos anos 40 o futebol feminino era composto por mulheres de baixa renda majoritariamente periféricas. Foi a partir desse feito que começou uma grande luta já que no ano seguinte um Decreto-Lei proibiu mulheres de praticar a modalidade fazendo com que houvesse partidas clandestinas durante longos 40 anos, assim prejudicando a evolução do futebol feminino e trazendo mais afastamento para as mulheres discutirem sobre o assunto.

Créditos: @fxrnandacruz

         “A minha ligação com o futebol começou quando tinha 13 anos, desde aquela época eu percebia a garra dos jogadores, a persistência e determinação e eu acredito que principalmente pra nós que é mina, a gente praticamente vive em campo porque temos desafios todos os dias pra qualquer fita, até mesmo na hora de falar sobre futebol, vários caras desacreditam que a gente realmente tem essa paixão. Desde a infância as mina são instruídas a seguir um padrão de qual tipo de mulher ser para os homens; eu que fui criada no meio de moleque nunca tive essas fita de namoradinho de escola por ter sido sempre a mais zoada por conta das roupas; cresci querendo mostrar paras minas que nem tudo é sobre ser “as meninas que os meninos gostam” e antes de tudo se sentir confortável e da hora, independente da roupa que vestir”, relata Fernanda Cruz de 17 anos, Santo André.

Créditos: Eder Leite 

         Em 2019 com a Copa do Mundo de Futebol Feminino ganhando grande repercussão dentro e fora do futebol, foram criados projetos de moda esportiva e de alta costura que incentivaram a mostrar a versatilidade da mulher na moda e no esporte e construíram o conceito final do Editorial como, por exemplo, a colaboração da Nike com quatro estilistas mulheres na linha de frente de uma coleção inspirada na estética e modelagem de acessórios e roupas utilizadas no futebol e o desfile da grife francesa Celine da coleção de primavera verão de 2021 em Mônaco no Estádio Luis ll, que agradou a crítica especializada da moda convencional e que novamente levantou esse assunto dentro dessa comunidade excludente.

Crédito: @yassantx

         Moradora de Guarulhos Yasmyn Oliveira, com somente 16 anos, mostra com convicção a importância de ter mulheres protagonizando: “Gosto mais de acompanhar os jogos femininos, pois me sinto mais representada por elas e acho que deveria ter mais visibilidade igual dos homens, eles não dão espaço pra nós nos mostrarmos. O que falta é nós mulheres nos unirmos mais e trabalharmos juntas pra isso fluir, quanto mais projetos envolvendo mulheres melhor a visibilidade pra gente e engajamento para futuros trabalhos, querendo ou não o toque feminino é essencial em qualquer projeto”.

Créditos: @_gcosta13

         Corintiana desde pequena Giovanna Costa de 17 anos lembra como surgiu sua paixão pelo futebol: “Desde criança meu pai me incentivava a gostar de futebol, lembro na final da Libertadores de 2012, eu com 9 anos estava no bar com meu pai comemorando, eu fiquei encantada com aquela festa toda que teve aqui no Paraisópolis e comecei a me interessar mais e acompanhar campeonatos europeus através do meu irmão. Muita das vezes os homens colocam os nossos sentimentos em dúvida, duvidam quando a gente fala que gosta de futebol, acham que futebol é só pra homem e a gente está aqui pra quebrar esse preconceito, esse machismo, e esse editorial é uma das oportunidades pra que isso aconteça”.


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