Mulher, MC e mãe

Autor: Gabriela Ferreira

Fotos por: Reprodução // Instagram

Matérias | 08/03/2019 12:05:45

Anexo faltante

Antigamente, quando uma mulher engravidava, ela tinha que parar a faculdade, o trabalho, a rotina, tinha que parar tudo para ser mãe. Hoje, sabemos que não é mais bem assim. Se uma garota engravida e quer parar de trabalhar para ser exclusivamente mãe, ela pode, se ela quer continuar trabalhando e manter a vida social normal, ela também pode. A mesma coisa acontece com as mulheres que são MC, tipo a MC Bella, a MC Pocahontas, a Valesca, e muitas outras. Separamos no Portal KondZilla algumas histórias dessas mulheres, mães e MCs.

“Infelizmente existe preconceito sim”, conta MC Bella sobre sua experiência em ser uma MC grávida. “Vejo muitos comentários pesados, de pura maldade. Mas o segredo é não se abater. Hoje na internet as pessoas atacam as outras o tempo todo, mesmo sem conhecer ou sem saber nada da vida da pessoa”.

Bella, que atualmente está em seu sétimo mês de gestação da sua primeira filha com o MC Fioti, é um exemplo das milhares de cobranças que uma MC recebe. Parece até que as cantoras de funk não podem ter filhos, diferente das cantoras de outros estilos, ou de mulheres de outras profissões. Além do mais, talvez quem nunca tenha passado por uma gestação não entenda que por mais que as mulheres queiram seguir a vida normalmente durante esses nove meses, não são todas que conseguem por causa dos enjoos, complicações e até uma gravidez de risco.

Nas redes sociais de Bella, por exemplo, existe muitos fãs que a questionam sobre sua carreira, sem entender que a cantora precisa do seu tempo. “Os planos eram não parar de soltar meus trabalhos, mas como no início da gravidez eu passava muito mal por conta dos enjoos, minha pressão caía muito e eu nem conseguia comer direito, ficou complicado”, conta ela sobre as cobranças que recebe. “Vi que esse momento era só meu e da bebê, e eu precisava me cuidar, sabe? Priorizar meu bem estar e cuidar dela desde já. Então não me cobrei tanto, mas percebo que as pessoas reclamam sim da minha ausência e acham até que não vou voltar a cantar, mas muito pelo contrário, já estava com várias ideias e vou voltar com tudo”.

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É menina 🙈❤️ 📷 @estudioingrydalves

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Quem também passou por esse preconceito foi Valesca com seu primeiro filho, o MC Pablinho, que hoje já tem 18 anos. Na época em que engravidou, Valesca trabalhava em um posto de gasolina e depois entrou pra Gaiola das Popozudas, conciliando os dois empregos. “Pra poder trampar, deixava ele na minha mãe, e uma vez, depois de um show, eu estava ainda suja de brilho no corpo e uma mulher comentou com a outra: “Esse vai crescer com vergonha da mãe”. Graças a Deus isso nunca aconteceu, ele sempre teve orgulho de mim”.

Assim como a maioria do mercado de trabalho, a indústria musical, principalmente do funk, também evoluiu e se tornou mais empática com as mulheres. “O mercado mudou muito. Hoje, as mulheres são presença massiva. Mas já enfrentei muito preconceito de DJs e contratantes que acharam que uma mulher não ia conseguir encher um baile funk”, comenta Valesca.

“Foi muito difícil conciliar as duas coisas”, diz Valesca. “Sempre tentei ser o mais presente que dava em todas as fases, mas já chorei em situações tipo ter um show no dia das mães e eu não poder estar com o meu filho”.

Apesar das dificuldades, a MC carioca dona de sucessos como “Agora To Solteira”, “Beijinho no Ombro”, e muitas outras, nunca pensou em mudar algo em sua carreira no funk por preocupações como o preconceito, ou o que os outros podiam pensar por conta de suas músicas. “Minha preocupação sempre foi não deixar faltar estudo comida e saúde pro Pablo. Procurei sempre trabalhar pra dar o melhor pra ele”.


*reprodução Instagram

“Sempre foi meu sonho ser mãe. To no momento mais lindo da minha vida, gerando um ser de luz e amor no meu ventre. Acredito que tudo tenha seu tempo”, diz Bella sobre o momento que está vivendo e a pausa na carreira.

Já Valesca, tanto para Bella e para as futuras mamães do funk, deixa o recado: Mantenham o foco e não se sintam culpadas por nada. Trabalhem com a consciência de dar um futuro melhor pras suas famílias”.

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