Sintonizado com as atrizes de Sintonia

Autor: Felipe Panfieti

Fotos por: Lais Fiocchi

Matérias | 27/11/2019 10:00:07

Anexo faltante

Pode cravar que a série “Sintonia” foi um sucesso.  No evento Semana das Minas, que rolou na faculdade Fiam Faam, na unidade Ana Rosa, Bruna Mascarenhas (Rita), Júlia Yamagichi (Scheyla) e Danielle Olímpia (Cacau) deram uma palestra visando o empoderamento feminino, preconceito, dificuldades, funk e ainda revelaram algumas curiosidades sobre os bastidores de “Sintonia”, considerada a segunda melhor estreia para uma série nacional no Brasil.

Em defesa das mulheres, as atrizes falaram sobre como o poder feminino tem conquistado cada vez mais espaço dentro da sociedade, superando preconceitos e desigualdade. Elas usaram como exemplo a personagem Rita, que na série sempre fazia os seus corre vendendo produtos nas plataformas do metro para conquistar os seus objetivos, uma garota cabeça, de atitude e determinada a quebrar os padrões.

O que não é muito diferente da vida real das atrizes, Bruna, por exemplo, trabalhava em restaurantes, mas o sonho de atuar era maior. Ela intercalava os horários de trampo com testes de elenco. Encorajada a encarar todos os desafios, ela saiu de sua cidade natal (Rio de Janeiro), para conquistar um dos papéis principais de “Sintonia”.

Julia, que interpreta Scheyla, é formada em Relações Públicas e patroa na sua área de formação, conquistou o seu espaço em duas séries nacionais, com esforço e dedicação. Já Danielle é formada em teatro e foi escolhida no meio de 40 pessoas para assumir o papel, e o mais gratificante para ela é poder influenciar positivamente milhares de mulheres a lutarem por os seus direitos.

Ao perguntar sobre o momento mais marcante na série, Bruna respondeu “foi a periferia, o que o funk representa na vida das pessoas que moram em comunidade, que não é só uma cultura que surgiu dos becos e vielas e que pra muitos o ritmo musical é uma válvula de escape para uma vida melhor, a chave de uma casa nova pra mãe, a chave de um carro novo para o pai. Nas pausas das gravações eu observava as crianças cantando ao redor da comunidade, dando voz a esperança do Kond chegar e falar: ei garoto, você vem trabalhar comigo”.

Outro momento marcante para Bruna é a manifestação cultural. A cena mostra Rita curtindo o baile funk ao lado dos amigos Doni (Mc Jottape) e Nando (Christian Malheiros). Ela considera o baile como um grito de liberdade para os moradores da comunidade, o ambiente ideal para embrazar com a banca, se refugiando dos problemas e das condições precárias de quem vive a realidade da quebrada.

Uma aluna da faculdade perguntou para as meninas qual foi a maior dificuldade que elas enfrentaram para gravar a série, e para a curiosidade de todos elas responderam que foi aprender o dicionário da quebrada. Elas precisaram ter aulas com o MC Jottape e MC M10 o (formigão em “Sintonia”) para aprender que “chave” significa estiloso, “liga nois” é “conta comigo”, “passa a visão” quer dizer “dica”, “goma” representa “casa” e que “pocas ideia” na verdade é “não quero saber”.

Em um momento de fortes emoções elas abriram o jogo com os alunos da FIAM FAAM, disseram que estão sintonizadas porque todo o veneno que passaram para chegar até onde chegaram foi válido, cada gota de suor foi recompensada e que são gratas por exibir em “Sintonia” a realidade das comunidades no Brasil para 194 países.

Mas sem a maldade, ficou marcado através da voz feminina que quebrou os paradigmas em Sintonia é que ‘Se mexerem com as minas, vamos te levar pras ideia’.

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