Revista americana Billboard retrata o trabalho da KondZilla

Autor: Redação

Fotos por: Reprodução - Gui Christ // Billboard

Funk | 19/07/2019 12:57:35

Anexo faltante

Saiu nesta quinta-feira (18) uma matéria da revista americana Billboard (uma das maiores, se não a maior publicação de música do mundo) sobre o trabalho que o Kond, fundador da KondZilla, vem fazendo no mercado funk. A equipe da revista americana visitou a sede da produtora onde fez fotos e a entrevista, e agora, a matéria saiu na edição 17 do ano de 2019. Se liga como foi o papo.

Esta é a capa da matéria, “Como a KondZilla levou o funk das favelas para o mainstream’ (Tradução livre)

Se você ainda não conhece essa história, vamos te ajudar. O Kond começou filmando videoclipes de funk em 2011, na Baixada Santista, quando o movimento do funk ostentação começava a ter corpo em São Paulo. Esse momento foi todo registrado pelos diversos videoclipes produzidos pelo Kond num momento onde nenhum outro profissional dava atenção necessária para o funk.

Daquela época pra cá muita coisa mudou, principalmente, por conta do trabalho do Kond na indústria da música. Se antes o funk e os artistas eram reclusos a favelas, hoje, a gente já se acostumou a ver artistas como MC Kekel em programas de TV e ouvindo as músicas dele na rádio. Na entrevista a Billboard, Kond comenta esse feito: “Durante muito tempo, tudo o que vinha da periferia, das favelas, era desprezado. Estamos mudando isso”.

Em apenas 7 anos o Kond transformou o trabalho que começou com ele gravando, dirigindo, produzindo e editando, numa empresa com mais de 200 pessoas trabalhando em diversas frentes (KondZilla Records, escritório de artistas, KondZilla Filmes, produtora de videoclipe, KondZilla.com, portal de notícias para favela, e KondZilla Wear, licenciamento de marca da KondZilla). O resultado disso são os 50 milhões de inscritos no Canal da KondZilla no YouTube – sendo o 1º a atingir essa marca no Brasil, América Latina e se tornando o maior canal de música do mundo no YouTube.

Quem confirma a mudança de mercado que a KondZilla fez é Sandra Jimenez, líder de música do YouTube na América Latina. “Ninguém falava do funk de São Paulo. A KondZilla deu voz para um movimento que existia, mas não tinha permissão para acessar o rádio ou a TV. [O Kond] usou a única plataforma disponível e a transformou no que é hoje”.

Outro dado que mostra essa mudança é de Zach Fuller, analista na MIDiA Research. “No Brasil, 79% [das pessoas] assistem a videoclipes no YouTube. Isso é mais do que [aqueles que] ouvem o rádio ou transmitem músicas”.

  • Favelas

A matéria da Billboard destaca a importância do trabalho do Kond para o público e a cultura de favela. Na entrevista, Kond comenta: “Ainda tem poucas pessoas ou empresas que querem representar a periferia. Existe muito preconceito. Eu quero ser o veículo que dá voz às pessoas, fazendo com que elas se sintam representadas e respeitadas”.

Quando começou a filmar, ainda em 2011, Kond entendeu qual era a cultura de favela e soube retratar essa linguagem nos videoclipes. Nesta época, o funk ostentação estava em alta e ele retratou os bens conquistados pela favela. O que, em alguns momentos, chegou a ser um choque pra ele que veio de uma favela do Guarujá. “Foi uma espécie de choque para mim, este caipira de uma cidade pequena ”, diz Kond com uma risada. “Até hoje, você não encontra uma moto FireBlade na minha favela. [Mas] em São Paulo, toda favela tem pelo menos umas 60”.

“A KondZilla deu visibilidade à periferia de São Paulo, falando a mesma língua e mostrando o estilo de vida, a música, a estética ”, comenta Pedro Tourinho, um dos maiores publicitários de música do Brasil. “Esta era uma população que finalmente se via refletida na tela”.

Esta visibilidade dita por Pedro é refletida na carreira do MC Kekel. Antes, um MC reconhecido apenas nas periferias, hoje é visto em grandes programas de televisão e sua música todas em rádios país afora. “O Kond me disse que era hora de tentar caminhos diferentes, para sair da minha zona de conforto. É por isso que hoje sou um artista, não apenas um cantor de funk”, conta Kekel para a matéria.

 

  • Conclusão

Ao fim da matéria, a Billboard destaca a importância e o diferencial do trabalho que a KondZilla vem fazendo. Um dos fatos que comprovam a qualidade do trabalho da KondZilla é sua audiência que vem se tornando global. Em porcentagem, 73% do público que assiste a KondZilla é do Brasil, o restante é do mundo, sendo 3% apenas dos Estados Unidos.

Outro dado é que o público feminino aumentou, se tornando 54% da audiência do canal. Muito disso é por conta da linguagem visual que não objetifica a mulher, não promove armas e também não coloca palavrões nas músicas. Fatores que promovem a música de favela como uma música urbana, acessível a todas as pessoas.

“Eu quero que [meus artistas] atinjam um novo público que não conhece o funk, mas consome música urbana”, diz Kond que vê este como o melhor momento para o funk e para os artistas de favela. “É o momento da música urbana: reggaeton, kizomba, kuduro, hip-hop. Em todo o mundo, somos a base da pirâmide. Isso é um monte de gente”.

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