Relíquia: os bonés de crochê vem caindo novamente no gosto da massa funkeira
Créditos: Reprodução
- Por Wenderson França

Relíquia: os bonés de crochê vem caindo novamente no gosto da massa funkeira

No universo do funk quase nada é esquecido, não é mesmo? Seja a batida, o kit ou até mesmo uma gírias. Geralmente as tendências passam e voltam anos depois. O mesmo aconteceu com os bonés de crochê, que foram moda no início dos anos 2000, sumiram e atualmente vem caindo no gosto da massa funkeira novamente. Quer saber a história por trás dessas peças? Cola com o Portal KondZilla e pega a visão!

Quem nunca deixou essa peça de lado é o MC Kauan, mas alguns artistas também já estão se jogando novamente nessa onda, como o Kayblack, um dos manos que tá fazendo sucesso no trap. Mesmo engatinhando ainda um pouco tímido, já é possível ver alguns mandrakes usando os bonés de crochê nos bailes de rua e o movimento de procura e venda dos bonés está com tudo nas redes sociais, como por exemplo no Facebook, com o grupo “Bonés de Crochê“, que reúne 90 mil membros. 

Rubens, dono da página Bonés de Crochê

“Eu estava tendo muitos clientes. Isso virou o meu ganha pão, meu aluguel e tudo é proveniente das vendas dos bonés. Então, decidi criar o grupo até para expor os bonés e hoje já está chegando a quase 100 mil membros”, explicou Rubens, 28, dono do grupo Bonés de Crochê. 

Feitos de forma totalmente manual, não é qualquer um que tem a habilidade de confeccionar um boné de crochê. Além disso, o item viabiliza reinserção de ex-detentos no mercado de trabalho: “Aprendi a fazer os bonés quando fiquei dois anos e quatro meses privado da minha liberdade”, disse Rubens

Criando oportunidade de trabalho dentro das quebradas

A média estimada de um boné de crochê fica entre R$160 e R$180, é exatamente esse valor que possibilita os quebradas a realizar seus objetivos: “O artesanato virou minha profissão, é através dele que consigo manter minha família, inclusive pago meu aluguel fazendo os bonés”, explicou Rodrigo, 29, dono do perfil Crochê do RD

Processo de criação dos bonés

“Hoje minha única fonte de renda é com os bonés, artesanato não é algo tão barato, então eu nunca estou sem dinheiro. Ainda não consigo ter tudo que quero, mas consigo sobreviver só fazendo bonés”, complementou Larissa, 24, uma das únicas minas do ramo e dona da página Shark Crochê.

O gosto dos quebradas

Irmãos Metralhas, Arlequina, Tio Patinhas, Cyclone, Mizuno, Tony Country, símbolo do Cifrão, nomes e até frases estampam os bonés de crochê. Alguns deles chegam até com aquele acabamento de lacinho lembrando um outro boné também relíquia da Lacoste. Mesmo assim, os quebradas tem seu próprio gosto: “Os modelos que mais pedem, com certeza, são os dos Irmãos Metralhas”, passou a visão Larissa. “Dos Irmãos metralha, Cyclone e Mizuno”, Rodrigo deu o papo.

Arte feita pelo Rodrigo, Crochê do RD

Possibilitando rendas, fazendo o estilo das quebradas e desmistificando os preconceitos. Essa é a marca dos bonés de crochê: “Estamos quebrando o preconceito em cima dessa arte. Hoje em dia geral gosta e quer porque acha bonito”, finalizou o mano Rodrigo. 

Arte feita pela Larissa, Shark Crochê
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