Lowbike é mais que cultura, é estilo de vida

Autor: Wenderson França

Fotos por: Vanessa Coscia // Portal KondZilla

Comportamento | 18/09/2019 11:54:07

Anexo faltante

Falar sobre bicicleta é dialogar sobre possibilidades. Afinal, o objeto de duas rodas, pedal e freios que proporciona diversão à criançada também carrega um papel social por meio da mobilidade e redução de danos ao meio ambiente. Além disso, as bicicletas ainda têm o poder de fazer os olhos de muito marmanjo brilhar. O papo que o Portal KondZilla te passa hoje é esse. Chega mais e conheça o movimento Lowbike com os Los Rueros Bike Club do Campo Limpo, extremo sul de São Paulo. Eles customizam bicicletas para expor nas quebradas e mostram que bike também é um estilo de vida.

Se você não manja nada de Lowbike, já te explico: ela é um estilo de bicicleta “mais baixa” e mais compacta que as bicicletas normais de adulto. É o mesmo pique da cultura Lowrider, os carros rebaixados, que geralmente são super customizados pra ficar daquele jeitão que o dono gosta.

A brincadeira de criança se mantém na fase adulta e a paixão cresce por uma cultura vinda das periferias dos EUA, mais propriamente na divisa com o México, e se adapta nas terras brasileiras. “A paixão pelas bicicletas é uma parada que já trazemos desde criança, esse é um dos motivos de sermos adeptos a cultura Lowrider”. Das quebradas do Jardim Maria Virgínia, Campo Limpo, eles também fazem com o que tem em mãos e assim abusam da criatividade. “Um dos motivos de escolhermos as Lowbike é que tem a questão do carro ter um custo muito elevado. Com isso, o aparato que temos é a customização das bicicletas, que acaba desenvolvendo a nossa criatividade. Uma peça que geralmente as pessoas condenam como lixo é para nós algo que dá pra customizar e colocar na bike”, explicou Diego Pedro Marostega, 28 anos, vulgo Dig, ao falar da cultura Lowrider.


*Na foto, Dig e sua bike

Para Edilson aparecido Silva, o Jow, 47 anos, mais um dos componente dos Los Rueros, viver a cultura Lowrider é muito sobre sentimentos e distração em meio às tarefas do dia dia. Por isso, os princípios desse movimento é um dos quesitos que fazem os olhos deles brilharem. “Lowrider é uma cultura familiar, você pode inserir os seus filhos, pai, mãe. A galera se encontra pra trocar uma ideia, inspirar o lado criativo um do outro, sempre pela união, é uma cultura que só agrega valor”.


*Jow e os equipamentos de customização

Dig explicou ainda que tudo é levado muito a sério, então não dá pra vacilar, precisa realmente cair de cabeça. “Lowrider não é uma coisa que simplesmente você gosta e vai ter, ou você vive a cultura ou você não vive porque acaba virando um estilo de vida”. Assim como Jow ele também ressaltou a importância da família no movimento e trouxe à tona alguns dos antigos costumes dos fundadores da cultura Lowrider. “Até pelo âmbito da família, antigamente os pais para customizar os carros colocavam os filhos para customizar as bicicletas, foi aí que surgiu a ideia da lowbike. Isso estou falando de muitos anos atrás lá na gringa com os Chicanos, que são os americanos-mexicanos”.

Fazer parte desse time apaixonado de bicicletas customizadas, é estar sempre de olhos abertos porque a qualquer momento pode rolar de encontrar aquela peça maneira que vai ficar chave na bike. “Tem muito a questão do garimpo, saímos no rolê na missão de procurar uma peça ou algo parecido, quando passamos pela rua e enxergamos alguma coisa maneira já pensamos ‘mano isso vai da pra colocar lá naquela bike laranjinha’, o garimpo é da hora faz parte da cultura”, disse Jow.

Todo esse corre é para que a bike represente totalmente o dono. Afinal, Dig explica que para a bicicleta ser original, um dos primeiros princípios é carregar as características do dono. “Então tem a parada de a bicicleta ser muito a cara do dono, você está colocando o seu gosto ali, cada detalhe é pensado conforme a sua personalidade. Por isso que as bicicletas mudam de uma para outra, tanto na cor, peças e essas paradas”. Parece simples né?! Mas vai anos de pesquisa para chegar em um resultado foda. “Demora bastante tem projetos que vai três anos para ser concluído”.

O papel social dos grupo de Bike Club

Pra equipe de customização, se tratando da favela, todo trabalho carrega uma mensagem. Um dos focos principais dos Los Rueros é levar esse brilho nos olhos também para molecada da quebrada através das exposições. E acredite, tem dado certo. “Sempre traz mensagem, é um incentivo pra molecada. Às vezes o moleque até deixa de ir para o crime pra montar uma bike, ocupar a mente, porque a favela é carente de tudo”, contou Jow sobre o trabalho nas favelas.

E se vocês perguntarem para eles se tem idade para fazer parte do clã dos Los Rueros Bike CLub a resposta é reta. “A idade é a disposição, já teve até uma molecadinha que veio aqui apertar parafuso com nós. Minha filha me ajuda muito também, é meu braço direito”, Jow deu o papo.

Para finalizar Dig explicou ainda que tudo carrega um lado social, que no final não se trata só da customização das bicicletas e diversão, é também sobre buscar esperança para a favela. “Um dia já tivemos no lugar deles e nós também queríamos ter acesso, então quando chegamos com as bike é festa, a molecada pira”. O acesso vem através de eventos realizados de quebrada para quebrada. “Sempre puxamos o bonde de uns eventos na favela porque é aqui que a molecada precisa ter o acesso, no quintal da casa delas, então nós buscamos proporcionar isso”, concluiu ele.

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