Como os challenges do TikTok afetaram as produções musicais?
Créditos: Reprodução// Suburbano // Malu Barbosa
- Por Gabriela Ferreira

Como os challenges do TikTok afetaram as produções musicais?

Desde que o TikTok virou febre no Brasil, e no mundo, muitas músicas estouraram por lá. Foi o caso de “Surtada”, “Tudo Ok”, e vários outros sons de todos os estilos, que ganharam milhares de vídeos de dança e desafios que ajudaram vários artistas a hitarem por aí. Não é à toa que a maioria das músicas do Top Viral 50 do Spotify são quase todas da “rede do lado”. Ultimamente, criar um challenge tem sido a principal forma de viralizar uma música, ainda mais com a pandemia, que brecou os shows e os bailes. Será que isso afetou a forma como os sons são feitos? Nós do Portal KondZilla trocamos uma ideia com três produtores para entender esse momento.

Por conta do distanciamento social, a internet virou o principal meio de divulgação dos artistas. Antes, o jeito mais eficaz de viralizar um som era nas ruas, em bailes ou em shows. Mas, com a quarentena, muitos artistas precisaram se adequar ao digital.

Não é de hoje que muitos sons viralizaram graças a alguma rede social específica. Em 2019, “Gaiola é o Troco” viralizou por causa do Lomotif, aplicativo febre da época. Depois, “Hit Contagiante”, remix brega-funk de “Evoluiu“, do MC Kevin o Chris e Sodré, feita por Felipe Original e JS o Mão de Ouro, cresceu horrores por conta do “Evoluiu Challenge”, que tomou as redes, principalmente, o Instagram. “Tudo Ok“, de Mila, JS o Mão de Ouro e Thiaguinho MT, também é um grande exemplo de sons que se tornaram hits graças a desafios e vídeos de dança.

Por conta desses e outros hits, criar um desafio, seja de dança, maquiagem ou qualquer outra coisa, se tornou um meio certeiro de fazer uma música andar. Não é à toa que diversos artistas soltam desafios antes mesmo dos sons, como é o caso do Jottapê, artista que sempre aposta em vídeos de coreografia. 

Essa tendência fez com que a indústria precisasse se adaptar ao “viralizável”. Já era normal que a música pop, independente do segmento, investisse em letras e beats chicletes. E se a música conseguisse grudar na cabeça do público logo na primeira ouvida, melhor ainda. E não é só isso, além de pensar em uma letra que fixe na cabeça dos outros, ainda é preciso pensar em fazer um som que dê pra lançar o passinho, seja ele qual for.

“Tivemos que nos readaptar e nos reinventar conforme a pandemia também que nos prejudicou muito. Mas as novas redes sociais como TikTok, Kwai, dentre outras, nos fizeram mudar a forma de pensar na hora de produzir e, creio que também mudou a forma dos artistas pensarem em letras compatíveis com a nossa nova realidade. Espero que continuem sendo grandes ferramentas pra impulsionar as músicas, porém estamos na torcida pra volta dos eventos logo, que é realmente o termômetro real da música”, comenta o DJ RD sobre essa mudança impulsionada pelas redes sociais.

Pablo Bispo, produtor e compositor de grandes hits brasileiros, como “Pesadão“, de Iza e Falcão, “K.O“, da Pabllo Vittar, e “Essa Mina é Louca“, da Anitta, concorda com o RD no quesito investir em hit pro Tik Tok. “Se o foco do artista for viralizar, sim. O artista pop ou funk, que precisa de pista, de rua, balada, etc, não tá tendo isso por conta da pandemia. Essa reciprocidade foi pro TikTok, até porque lá rola uma interação com o que o artista cria, seja com dança ou brincadeira. Então, se o artista precisa fazer uma coisa estourar, ele precisa do TikTok pra ajudar. Se você não é um músico que tem essa necessidade, não precisa pensar nas redes sociais, a não ser que você queira experimentar. 

Produtor dos hits “Surtada” e “Tudo OK”, JS o Mão de Ouro acrescenta: “As redes sociais influenciam bastante. A gente já pensa nas batidas e nas dancinhas que podem ser feitas. Isso afetou até na composição. Tem letra que é feita pensando em plataformas específicas. Já fiz sons falando sobre Tik Tok e Lomotif.”

Essa tendência de criar músicas pensadas para as redes sociais se tornou ainda maior com a pandemia, mas provavelmente não seja algo que vá passar depois que os shows voltarem. O engajamento por meio das redes sociais, além de ajudar na divulgação dos sons, ainda gera uma interação entre fã e artista, já que muitos postam challenges na esperança de serem notados pelos ídolos, que repostam os vídeos em seus perfis. Por isso, talvez mesmo depois da pandemia, os challenges e vídeos de danças continuem bombando por aí, já que virou um jeito de fazer a roda continuar girando.


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