A série "Olhos que Condenam" fala sobre racismo e injustiça social

Autor: Wenderson França

Fotos por: Divulgação

Matérias | 21/06/2019 18:37:38

Anexo faltante

A nova série da Netflix, “Olhos que Condenam”, é baseada no caso “Cinco do Central Park”, uma história real que aconteceu nos Estados Unidos em 1989. Marcado pelo racismo, o caso condenou 5 garotos negros de forma injusta por eles estarem no lugar errado e na hora errada. Se eles estavam lá, para as autoridades, significava automaticamente que eles eram os autores do crime. Nós do Portal KondZilla assistimos o seriado e te contamos mais sobre ele.

O caso “Cinco do Central Park” trata-se do estupro de uma corredora chamada Trisha Meili. Diante do acontecimento e da pressão da sociedade em resolver o caso, a polícia americana forjou um discurso racista que acabou criminalizando os 5 garotos negros com idades entre 14 a 16 anos pelo crime. Dez anos depois, descobre-se que os jovens são inocentes e a justiça é obrigada a pagar uma multa de 41 milhões de dólares para os condenados injustamente.

Ao assistir a série “Olhos que Condenam” dificilmente você não irá sentir a indignação correndo direto em suas veias ou até mesmo pegar as lágrimas correndo em seu rosto, principalmente se você for como eu, um jovem de favela que já presenciou situações parecidas ao longo da vida.

O seriado logo de cara te apresenta os garotos Kevin Richardson (Justin Cunningham), Yusef Salaam (Chris Chalk), Raymond Santana (Freddy Miyares), Antron McCray (Jovan Adepo) e Korey Wise (Jharrel Jerome) que passaram por isso de ainda muito jovens.

A história é complexa e dolorosa por si só, retratando o que o jovem negro americano tem sofrido na sociedade. A diretora Ana DuVernay, de 46 anos, deixa nítido que não foi só o sistema carcerário quem incriminou os 5 meninos, mas também a mídia, por exemplo, com coberturas jornalísticas baseadas apenas no discurso das promotora do caso, Linda Fairstein, e a promotora chefe, Elizabeth Lederer. Além disso, a diretora da trama denuncia também o racismo estrutural estabelecido dentro dos tribunais.

A série é realmente impactante desde o primeiro episódio, quando os policiais obrigam os garotos a confessarem o crime não cometido em um depoimento gravado, tudo a base de tortura. O segundo e terceiro episódios retratam o sofrimento dos jovens no reformatório. O quarto e último episódio é, sem dúvidas, ainda mais impactante, pois mostra Korey Wise com 16 anos em uma prisão. Como a classificação da série é para maiores de 18 anos, Ava não omitiu nenhuma das agressões (físicas e psicológicas) sofridas pelos condenados.

Diretora Eva Duvernay coleciona prêmios e indicações

Por trás da trama que impactou muita gente nos últimos dias está a diretora Eva Duvernay. A cineasta é conhecida pelas obras sempre carregadas de críticas, todas com objetivo de conscientizar a sociedade civil. Ela já assinou outros trabalhos como: “A 13ª Emenda” e “Selma: Uma Luta Pela Igualdade“. Além disso, ela ainda acumula prêmios com os seus trabalhos como: Melhor documentário pelo Bafta de cinema, melhor direção com seu longa-metragem, “Middle of Nowhere”, primeira diretora negra a ser nomeada para um Globo de Ouro e ainda com “Selma”, ela foi a primeira diretora negra a ter seu filme nomeado para o Oscar de Melhor Filme.

“Olhos que Condenam” está longe de ser algo leve para ser assistido, você vai realmente precisar de estômago para acompanhar. Mas enxergando pelo ponto de vista social, é necessário para que possamos entender o sistema carcerário de diversos países, as formas de abordagens das mídias (muita vezes tendenciosa), o quanto a sociedade se debruça em cima de um racismo estrutural e principalmente o que é ser um negro batendo de frente contra um sistema que te condena pela cor da pele.

Acompanhe a série Ölhos Que Condenam” na Netflix.

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